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sábado, 11 de maio de 2013

Atlético-MG, o primeiro campeão



Em 1971, o Clube Atlético Mineiro foi o primeiro clube campeão brasileiro, quando  o campeonato passou a ser de fato nacional, com mais representantes fora do eixo Rio-São Paulo. Desde 1959 apenas os campeões estaduais brasileiros jogavam a Taça Brasil, disputada em jogos eliminatórios até chegar-se ao campeão. Os campeonatos estaduais já estavam consagrados, havia o Torneio Rio-São Paulo, mas não um campeonato com as dimensões do Brasil. Nessa busca, a partir de 1967, o Rio-São Paulo também incluiria dois times mineiros (Cruzeiro e Atlético), dois times gaúchos (Grêmio e Internacional) e o campeão paranaense. Depois surgiram as vagas para um time da Bahia, um de Pernambuco  e, finalmente em 1971, com a participação do Ceará Sporting Club foi formado o primeiro campeonato brasileiro, como relata o jornalista Celzo Unzelte (Ediouro, 2002). Por outro lado, a Copa do Brasil iniciada em 1989 é outro torneio nacional, de jogos mata-mata, atualmente disputada por 86 clubes de todos os Estados, onde o campeão é classificado diretamente para a Libertadores. Somente em 2003, o Brasileirão passou a ser disputado por pontos corridos, sendo o campeão aquele que somar mais pontos no turno e returno, classificando os quatro primeiros colocados para a Taça Libertadores (interclubes criado em 1960).

O “galo mineiro”, chegou a quatro finais de campeonatos brasileiros, no sistema em que os times eram distribuídos em grupos, até chegarem às finais. Em 1971 foi campeão vencendo o triangular final junto com São Paulo e Botafogo-RJ. No Brasileiro de 1977, ficou com o vice na decisão contra o São Paulo em pleno Mineirão; em 1980 foi derrotado pelo Flamengo (de Zico); em 1999 perdeu novamente, para o Corinthians. Fez incríveis 19 decisões consecutivas de campeonato mineiro (de 1974 a 1990) contra o Cruzeiro, seu maior rival em Minas, vencendo 11 campeonatos no período, dos quais um histórico hexacampeonato (1978-1983). Possui 42 títulos estaduais sendo o maior campeão mineiro, além de duas Copas Conmebol (1992/1997). No Brasileirão-2005 ficou em 20º lugar, rebaixado para a Série B, assim como aconteceu nos últimos anos com os campeões brasileiros Botafogo-RJ, Vasco da Gama, Grêmio, Palmeiras, Corinthians, Coritiba, Atlético-PR, Bahia e Sport. É o atual campeão da Libertadores-2013, título inédito conquistado nos penaltis contra o Olimpia (PAR), depois de perder o primeiro jogo por 2 a 0 em Assuncão.

 
Meu time de botão do Atlético-MG (Gulliver Cristal) é da fase gloriosa dos anos 1970, onde jogadores como Reinaldo, Luisinho, Toninho Cerezo, Paulo Isidoro, Éder, eram protagonistas das jogadas no futebol de mesa. “Rei, rei, rei, Reinaldo é nosso rei”, era o grito da torcida alvinegra para o maior ídolo e artilheiro do clube (255 gols). Sempre o botão do galo disputava partidas emocionantes no Xalingão (campo pequeno de mesa, de cor verde-escuro) com muitos dribles, chutes de folha-seca, e muita força nas divididas, por ser mais encorpado que os outros tipos de botão. Talvez isso acontecesse pela “mágica de jogar sozinho”, de decidir aleatoriamente os resultados, ou mesmo, pelo peso da camisa (no caso, do escudo!). Como disse no post do Corinthians, esses times da Gulliver Cristal eram bem lentos e pesados – mas o do Atlético não!

No Brasileirão-2012 foi segundo colocado (20 vitórias, 64 gols), excelente fase que se extende a classificação na Libertadores-2013 como melhor primeiro lugar da fase de grupos, eliminando o tricampeão São Paulo. Até o momento, o confronto do ano é mesmo Atlético-MG x São Paulo. Em quatro partidas os mineiros comandados por Ronaldinho Gaúcho venceram três vezes o tricolor de Rogério Ceni, maior goleiro da história do clube do Morumbi. Após o retorno ao Brasil pelo Flamengo, Ronaldinho jogando em grande fase, “arquitetou” a eliminação sãopaulina em lances que misturam a malícia “de beber água de Rogério Ceni na pequena área”, passes milimétricos, dribles desconcertantes de quem já foi o melhor do mundo (pelo Barcelona em 2004/2005), até fechar com um chocolate na vitória de 4 a 1 no Estádio Independência. Vale jogar uma partida de botão com direito à arte dos escudos desenhada com a foto de Ronaldinho, atual ídolo atleticano. E por que não, um bom goleiro (caixinha oficial) do Vitor, herói da conquista da Libertadores-2013, pegando penaltis contra o Tijuana, Newells e Olimpia. 

Futebol de botão Gulliver Cristal: destaque para o 9 do artilheiro Reinaldo

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O São Paulo antes da Libertadores


Seis times brasileiros estão na disputa da Copa Libertadores da América - 2013 entre eles o tricampeão São Paulo Futebol Clube que está no grupo 3 do Atlético-MG. Com seis títulos nacionais, seria o maior vencedor do Campeonato Brasileiro que começou a ser disputado em 1971. E foi até 2010, quando a CBF unificou os títulos nacionais conquistados anteriormente, caso das edições da Taça Brasil e Taça de Prata, campeoanatos com menos equipes e sem a divisão em séries do atual brasileiro. Com isso, Palmeiras e Santos, ambos com oito conquistas estão na ponta dos maiores campeões do Brasil. Ainda em 2010, o tricolor paulista ganhou o direito da chamada “taça das bolinhas”, troféu do Campeonato Brasileiro que seria entregue definitivamente ao primeiro pentacampeão. O São Paulo fundado em 1930-35, de fato, somou antes as cinco conquistas (1977/1986/1991/2006/2007/2008), mas o Flamengo e a CBF criaram a tal polêmica, pois o mengão considera seu o título da Copa União (1987), organizada por 13 clubes tradicionais e depois chamado de módulo Verde. Na ocasião, o time carioca recusou-se a jogar a finalíssima contra o Sport Club Recife, campeão do módulo Amarelo, organizada pela CBF com outros times considerados da 1ª divisão, como o Guarani-SP.
Não vou falar das conquistas das Libertadores (1992/1993/2005) e também dos três Mundiais (que assisti contra minha vontade!) porque devo destacar o primeiro título brasileiro de 1977, vencendo o Atlético-MG em pleno Mineirão. Este é mais um episódio dos tempos do jogo de botão com os amigos (sim, eu tinha um amigo são-paulino!) e do futebol de rua (com golzinho livre, aquele feito de chinelo ou tijolo). Não lembro se assisti a final na minha tv General Eletric preto & branco ou se na Philips colorida do meu primo são-paulino. Meu nome Leonidas vem do meu pai, são-paulino não-praticante, mas que também me levava ao estádio, como na inauguração do CIC “Walter Ribeiro”, em Sorocaba, quando o São Bento perdeu por 1 a 0 para o São Paulo debaixo de muita chuva. Décadas antes, o atacante Leônidas da Silva (ex-Flamengo) - o "diamante negro" e seu gol de bicicleta - foi a grande contratação do São Paulo em 1942, resultando nas conquistas dos títulos paulistas de 1943, 1945/1946 e 1948/1949 que elevou o tricolor do Morumbi ao lado dos consagrados Palmeiras e Corinthians.
Na década de 70 o time tricolor ficou com o vice do Brasileiro de 1971 e, já flertava com a Taça Libertadores em 1974, quando perdeu a final para o Independiente da Argentina por 1 a 0. Até chegar ao título inédito do Campeonato Brasileiro de 1977 (disputado por 62 clubes divididos em grupos) cuja final aconteceu em 5 de março de 1978. Esta foi a primeira decisão de título disputada nos penaltis, (0 a 0 no jogo) também marcada por um pisão do volante Chicão no atleticano Angelo, depois que o jogador já estava se arrastando após sofrer um carrinho. Jogando sempre com muita raça no São Paulo e na Seleção Brasileira, Chicão foi escalado pelo técnico Cláudio Coutinho na Copa de 1978 no jogo contra a Argentina, anulando os craques Kempes e Ardiles. O meu time de botão do São Paulo é da marca Estrela, vermelho, modelo panelinha com escudos, que está na minha coleção desde 1980. Antes tinha um São Paulo da Gulliver, de plástico, que de tão surrado virou outro time (Ferroviária-SP, com escudos desenhados à mão livre). Tive outro do São Paulo também da Estrela, com as carinhas dos jogadores, (jogava muito no chão da sala) mas infelizmente desapareceu antes de iniciar minha coleção. O time tinha as fotos dos uruguaios Pedro Rocha, Forlán, do ponta-esquerda Paraná (ex-São Bento), Gérson , Mirandinha e do goleiro Sérgio. Na jogabilidade, os botões da Estrela se destacam pela leveza do plástico fino que produz um “estalo” característico quando acionado pela batedeira. A marca encerrou sua produção de futebol de botão justamente com a série dos clubes com distintivos, como este "em ótimo estado" do São Paulo.
Fotos final Brasileiro de 1977


Os botões do São Paulo com os distintivos: fim da produção da Estrela na década de 70