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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Botão enigmático da Estrela: Palmeiras ou Palestra?

PALMEIRAS é o atual bicampeão brasileiro da Série B, título pouco lembrado pela fatalidade do rebaixamento (2002/2012), que supera qualquer campanha vencedora fora da elite do futebol brasileiro. Com 8 títulos nacionais - somados as duas conquistas da Taça Brasil (1960/1967), duas do "Robertão" (1967/1969) e o tetracampeonato do Brasileirão (pós-1971) em 1972/1973/1993/1994 - o Palmeiras é o maior campeão brasileiro, ao lado do Santos FC. O segundo retorno à Série A se fez mais do que necessário, pois em 2014 o Palmeiras completará o seu centenário. De 1914, o clube fundado por imigrantes italianos era chamado de "Palestra Itália" (assim como o Cruzeiro-MG) até 1942, época da Segunda Guerra Mundial, onde o governo de Getúlio Vargas proibiu qualquer legenda em referência aos países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão). O vermelho que remetia à bandeira da Itália foi excluído do escudo institucional, substituído pelo verde e amarelo e a inscrição "Palestra de São Paulo". No mesmo ano, após muitas pressões políticas, o clube ganhou o nome de Sociedade Esportiva Palmeiras. Ao longo da história, o Palmeiras teve nove mudanças no desenho de seu escudo de camisa, sempre destacando a letra P. A Cruz de Savóia, símbolo da família real italiana (no século 19) foi adotada em 1915; as iniciais P e I entrelaçadas predominaram a partir de 1917, primeiro sendo inseridas em triangulo verde; depois sobre círculo branco (1919); até 1941 com o círculo verde alternando as cores das letras em branco e vermelho. Em 1942, com a mudança do nome para Palmeiras, optou-se apenas pela letra P inscrita em circulo verde, escudo que marcou o uniforme campeão da Taça Rio - 1951 (torneio interclubes não reconhecido pela FIFA). Em 1959 o alviverde fez a última alteração unificando os escudos: a palavra Palmeiras ladeada por 8 estrelas inscritas em círculo verde, contendo um círculo menor com o brasão da letra P. Este escudo foi reestilizado em 1977, permanecendo nas diversas versões do uniforme ocorridas nas últimas décadas.

Na minha coleção de futebol de botão, tenho um time do Palmeiras, da marca Estrela, botão verde escuro, modelo panelinha, um verdadeiro clássico do botonismo dos anos 1970. A questão (pauta desta postagem) é que o escudo impresso nos adesivos não faz referência direta a nenhum distintivo do Palmeiras, historicamente acima relatados. Os botões da Estrela produzidos até 1979, ficaram conhecidos por estampar fotos dos jogadores de cada time (adesivos das "carinhas") e, na última fase, manteve apenas os escudos dos grandes times. Neste botão, o desenho do distintivo é uma redução gráfica do escudo, com a tradicional letra P (em branco) sobre brasão de fundo verde claro e contorno preto. No atual escudo do verdão, o tal brasão com a letra P aparece em fundo de listras horizontais verdes. Portanto, não fica claro se a intenção da Estrela era estilizar o símbolo palmeirense ou se fazia referência a um possível "escudo perdido" da era Palestra. Não faz sentido a marca de brinquedos ter alterado o símbolo apenas no caso do Palmeiras, pois os outros botões da série "Times da Pesada", vinham com os distintivos oficiais, por exemplo, São Paulo, Fluminense, Flamengo e o Botafogo-RJ. Na época, o Palmeiras estava em grande fase e havia a concorrência de outra marcas, como a Gulliver (que usava o escudo alviverde atual) e a Canindé. Pode ter ocorrido "uma estratégia de marketing", para driblar uma disputa sobre o produto licenciado, ou ainda menos provável, uma troca grotesca do escudo, que "deu certo". Fiz uma rápida pesquisa de imagens na internet com as palavras-chave Palmeiras escudo, de resultados próximos ao campo da busca (escudos históricos do Palmeiras, Palestra Itália, etc), até chegar num escudo similar ao usado pela fabricante Estrela. O curioso é que tal escudo pertenceu à um time catarinense, o Palmeiras Esporte Clube (1944-1980), atualmente denominado Blumenau Esporte Clube, com vários títulos estaduais incluindo um vice da primeira divisão (1988)."...é estranho", diria o velho Lobo.


Time de botão da Estrela: Palmeiras na minha coleção há mais de 30 anos

Palmeirense desde a infância, tive outros botões do verdão que mais tarde foram customizados em outros times, como Coritiba e Goiás, dificeis de encontrar nas coleções originais. Ficaram perdidos no espaço da minha coleção, os saudosos botões da Estrela (do início dos anos 70) com as "carinhas" dos jogadores. Tinha jogo de botão dos quatro grandes paulistas: Santos, São Paulo, Corinthians e o Palmeiras bicampeão brasileiro (1972/73) de Leão, Eurico, Luis Pereira, Alfredo, Zeca e Dudu; Ademir da Guia, Leivinha, Edú, Cézar e Nei. Caros leitores, ficamos com o enigma do distintivo lançado pela marca Estrela nos anos 1970, de uma sutil mensagem subliminar do Palestra Itália (oito vezes campeão paulista) ao possível "erro da gráfica", no antigo (e irônico) jargão do jornalismo. #soquenaum.
Leia mais sobre a restauração dos adesivos do Palmeiras na "série vintage"

Campanha publicitária para o futebol de botão
da marca Estrela: Palmeiras com distintivo alterado 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O São Paulo antes da Libertadores


Seis times brasileiros estão na disputa da Copa Libertadores da América - 2013 entre eles o tricampeão São Paulo Futebol Clube que está no grupo 3 do Atlético-MG. Com seis títulos nacionais, seria o maior vencedor do Campeonato Brasileiro que começou a ser disputado em 1971. E foi até 2010, quando a CBF unificou os títulos nacionais conquistados anteriormente, caso das edições da Taça Brasil e Taça de Prata, campeoanatos com menos equipes e sem a divisão em séries do atual brasileiro. Com isso, Palmeiras e Santos, ambos com oito conquistas estão na ponta dos maiores campeões do Brasil. Ainda em 2010, o tricolor paulista ganhou o direito da chamada “taça das bolinhas”, troféu do Campeonato Brasileiro que seria entregue definitivamente ao primeiro pentacampeão. O São Paulo fundado em 1930-35, de fato, somou antes as cinco conquistas (1977/1986/1991/2006/2007/2008), mas o Flamengo e a CBF criaram a tal polêmica, pois o mengão considera seu o título da Copa União (1987), organizada por 13 clubes tradicionais e depois chamado de módulo Verde. Na ocasião, o time carioca recusou-se a jogar a finalíssima contra o Sport Club Recife, campeão do módulo Amarelo, organizada pela CBF com outros times considerados da 1ª divisão, como o Guarani-SP.
Não vou falar das conquistas das Libertadores (1992/1993/2005) e também dos três Mundiais (que assisti contra minha vontade!) porque devo destacar o primeiro título brasileiro de 1977, vencendo o Atlético-MG em pleno Mineirão. Este é mais um episódio dos tempos do jogo de botão com os amigos (sim, eu tinha um amigo são-paulino!) e do futebol de rua (com golzinho livre, aquele feito de chinelo ou tijolo). Não lembro se assisti a final na minha tv General Eletric preto & branco ou se na Philips colorida do meu primo são-paulino. Meu nome Leonidas vem do meu pai, são-paulino não-praticante, mas que também me levava ao estádio, como na inauguração do CIC “Walter Ribeiro”, em Sorocaba, quando o São Bento perdeu por 1 a 0 para o São Paulo debaixo de muita chuva. Décadas antes, o atacante Leônidas da Silva (ex-Flamengo) - o "diamante negro" e seu gol de bicicleta - foi a grande contratação do São Paulo em 1942, resultando nas conquistas dos títulos paulistas de 1943, 1945/1946 e 1948/1949 que elevou o tricolor do Morumbi ao lado dos consagrados Palmeiras e Corinthians.
Na década de 70 o time tricolor ficou com o vice do Brasileiro de 1971 e, já flertava com a Taça Libertadores em 1974, quando perdeu a final para o Independiente da Argentina por 1 a 0. Até chegar ao título inédito do Campeonato Brasileiro de 1977 (disputado por 62 clubes divididos em grupos) cuja final aconteceu em 5 de março de 1978. Esta foi a primeira decisão de título disputada nos penaltis, (0 a 0 no jogo) também marcada por um pisão do volante Chicão no atleticano Angelo, depois que o jogador já estava se arrastando após sofrer um carrinho. Jogando sempre com muita raça no São Paulo e na Seleção Brasileira, Chicão foi escalado pelo técnico Cláudio Coutinho na Copa de 1978 no jogo contra a Argentina, anulando os craques Kempes e Ardiles. O meu time de botão do São Paulo é da marca Estrela, vermelho, modelo panelinha com escudos, que está na minha coleção desde 1980. Antes tinha um São Paulo da Gulliver, de plástico, que de tão surrado virou outro time (Ferroviária-SP, com escudos desenhados à mão livre). Tive outro do São Paulo também da Estrela, com as carinhas dos jogadores, (jogava muito no chão da sala) mas infelizmente desapareceu antes de iniciar minha coleção. O time tinha as fotos dos uruguaios Pedro Rocha, Forlán, do ponta-esquerda Paraná (ex-São Bento), Gérson , Mirandinha e do goleiro Sérgio. Na jogabilidade, os botões da Estrela se destacam pela leveza do plástico fino que produz um “estalo” característico quando acionado pela batedeira. A marca encerrou sua produção de futebol de botão justamente com a série dos clubes com distintivos, como este "em ótimo estado" do São Paulo.
Fotos final Brasileiro de 1977


Os botões do São Paulo com os distintivos: fim da produção da Estrela na década de 70 
 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O botão branco do Fluminense

 
Botões da Estrela: mais leves e rápidos
O Brasileirão de 2012 consagrou mais um time como tetracampeão, desta vez o tricolor das Laranjeiras, o Fluminense Footboll Club de torcedores ilustres como Chico Buarque, Jô Soares e o jornalista/dramaturgo Nelson Rodrigues. Título somente possível depois que a CBF em 2010 passou a reconhecer os campeonatos nacionais anteriores à 1971 (ano do primeiro Campeonato Brasileiro vencido pelo Atlético/MG), deste modo, o título de 1970 da Taça de Prata foi somado ao tricampeonato do Flu – 1984/2010/2012. Como havia comentado no post anterior (“O meu time do Corinthians era VERDE”) o Fluminense do meia Rivellino chamado de “máquina tricolor”, chegou perto da final do Brasileiro em 1976, eliminado na semifinal contra o Corinthians, na chamada “invasão do Maracanã”, com um público inimaginável nos dias atuais, cerca de 146 mil pessoas. Na outra semi o Internacional/RS venceria o Atlético/MG, numa disputa marcada pelo gol espetacular de Falcão, depois da tabelinha de cabeça e chute de bate-pronto na entrada da área. Naquele ano, o sensacional time do Internacional seria o segundo bicampeão nacional, vencendo o Corinthians que estava na fila de títulos. Assisti aos dois jogos na casa de meus primos mais velhos: o da semifinal no Maracanã e o segundo jogo da final no Beira-Rio, minha primeira lembrança dos grandes jogos que vi na tv colorida, com uma grande cobertura da mídia. A expectativa era enorme, pois as notícias vinham principalmente pelo jornal, rádio e tv. Jornais como A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde e a revista Placar eram verdadeiros arquivos de resultados, escalação, fotos de jogadores e escudinhos para os times de futebol de botão. Naquele tempo, esperava-se anciosamente o jornal sair na banca com notícias “quentes” do dia anterior (fato normal no jornalismo até o surgimento da internet na década de 90). As transmissões de futebol ao vivo na tv eram raras, muitas vezes, assistia somente o vt dos jogos na TV Cultura (canal 2) no domingo à noite, narrados por José Carlos Cicarelli e Luiz Noriega (morto em dez/2012). Ou então, acompanhava os resultados dos jogos com a “Loteria Esportiva” divulgada pela zebrinha do programa Fantástico. Enfim, os anos 1970 marcaram o fim da “época de ouro” do futebol brasileiro, sem internet, celular ou qualquer dispositivo do tipo personal computer para acompanhar as notícias do futebol e os jogos da rodada.

“Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos.” (Nelson Rodrigues)

E o Galvão gritou de novo: “olha o gol, olha o gol!”

O primeiro título brasileiro veio em 1984 contra o rival Vasco, com gol do paraguaio Romerito no primeiro jogo e empate em 0 a 0 no segundo. Em 2008 em grandes jogos, o tricolor das Laranjeiras venceu o Boca Juniors por 3 a 1 pela semifinal da Libertadores, no Maracanâ, que foi palco da final perdida para a LDU do Equador. Em 2010 sagrou-se campeão brasileiro vencendo o Guarani por 1 a 0, no Engenhão. Já em 2012, o Fluminense foi tetracampeão brasileiro com duas rodadas de antecedência, simplesmente em cima do Palmeiras, rebaixado para Série B. O principal narrador da Globo que ultimamente só fazia jogos da Seleção Brasileira, depois das Olimpíadas de Londres 2012, voltou a fazer jogos do Brasileirão, do Palmeiras ameaçado pelo rebaixamento e do Fluminense candidato ao título. E ele usou sua atual marca das narrações: “olho o gol, olho o gol”, justamente contra o Verdão (que sacanagem!), além de um discreto “é tetra” no final da partida. Nos últimos anos o Fluzão voltou a usar o uniforme home tricolor (listrado nas cores verde, grená e branco) com design muito semelhante ao da dédada de 70, e a camisa branca que seria o segundo uniforme, vem sendo pouco utilizada. Já foi usado o grená como 3º uniforme, mas o branco é mesmo um uniforme reserva. Os times de botão da marca Estrela, modelo “panelinha”, reinavam nos anos 1970, com as famosas “carinhas” dos jogadores (que pouco trocavam de clubes) e os escudos retrô, cujo botão branco do Flu eu tenho na minha coleção. Os botões para o Fluminense da marca Gulliver, em geral, são verdes, tanto os de plástico como os de acrílico. Os da marca Canindé, com o slogan “o único em acrílico” eram transparentes. Para o Vasco e o Botafogo, a Estrela e a Gulliver usavam o preto e para o Flamengo, o vermelho. Não lembro de ver outras marcas que usassem o branco como cor principal para o Fluminense e, sendo este um original, é uma raridade. Um verdadeiro “álbum branco dos Beatles”.


Botões do Fluminense da marca Estrela: brancos com escudo retrô (1979)