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sábado, 13 de abril de 2013

México - "figurinha repetida" das Copas


O México disputa as eliminatórias para a Copa do Mundo pela CONCACAF (América do Norte, Central e Caribe) e está no hexagonal-final com Panamá, Costa Rica, Estados Unidos, Honduras e Jamaica. Para a Copa-2014 classificam-se três seleções diretamente, mais uma vaga na repescagem. A seleção mexicana é a atual campeã da Copa Ouro (2011) e vai jogar a Copa das Confederações da FIFA-2013, evento teste para seis novos estádios no Brasil: Fonte Nova, Maracanã, Mineirão, Brasília, Castelão e Arena Pernambuco. Sua maior conquista está ligada ao Torneio Olímpico de Futebol, onde conseguiu a medalha de ouro em Londres-2012, derrotando a seleção brasileira que já acumula três pratas em Olimpíadas. O México foi campeão da Copa das Confederações da FIFA-1999 e possui seis títulos da Copa Ouro da CONCACAF. Participa da Copa América desde 1993 com dois vicecampeonatos (1993/2001).
É o quinto país em Copas do Mundo com 14 participações, incluindo uma como país convidado (1930) e duas como país-sede (1970/1986), superando a vicecampeã Suécia e o bicampeão Uruguai ambas com 12, assim como os campeões Espanha, França e Inglaterra, todos com 13 mundias (veja gráfico). Mesmo se classificando para a Copa do Mundo-2014 no Brasil, não mudará sua posição no ranking de participações, pois na quarta colocação está a Argentina. Com o Brasil já classificado (recordista com 20 Copas) a Argentina bicampeã mundial com 15 Copas, deve ficar com uma das quatro vagas das Eliminatórias Sulamericanas, restando ainda a 5ª vaga na repescagem com a Oceania, como aconteceu na Copa de 1994. Nas estatísticas, o México só perde o quinto lugar se não passar nas eliminatórias e as seleções da França, Espanha ou Inglaterra se classificarem pelas vagas da Europa. Sempre uma "quase" força nas Copas do Mundo, a melhor colocação do México foi o 6º lugar por duas vezes, exatamente, quando foi país-sede nos mundias de 1970 (Itália 4 x 1 México) e 1986 (Alemanha Ocidental 0 x 0 México; penaltis 4 x 1). No entanto, também possui a pior colocação da história das Copas, quando foi último lugar por três vezes em 1930/1958/1978. O México é a única seleção não-finalista (nunca passou das quartas-de-final) entre os “top 10 das Copas” que reúne as oito equipes campeãs, talvez pela hegemonia da seleção na CONCACAF, seguido pelos Estados Unidos com nove participações em mundias.
A cartela dos escudos de futebol de botão que desenhei foi baseada no uniforme home da Adidas, com detalhe das três listras das mangas em vermelho, usado pelo México na Copa de 2010, como também aparece no 2º uniforme black. Não fiz a escalação dos aztecas que jogam basicamente no esquema 4-4-2, com velocidade e força na marcação. Fica o destaque para o número 14 usado por "Chicharrito" Hernandez, craque do Manchester United e 10 para o brasileiro Giovani dos Santos. No botão, ficaria bem competitivo se adesivado nos times da Gulliver ou nas lendárias "lentes de relógio", leves e que encobrem facilmente o goleiro.

 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Uruguai - Copa 2010

 
Caros leitores, estou começando a série dos times que vão jogar a Copa das Confederações 2013 da FIFA, evento teste para a Copa de 2014 no Brasil. O Uruguai foi escolhido como representante da América do Sul, como campeão da Copa América (2011) realizada na Argentina, onde o Brasil foi eliminado pelo Paraguai nos penaltis, errando as cinco cobranças. A "celeste olímpica" (bicampeã de futebol nas Olimpíadas de Paris 1924 e Amsterdã 1928) vai se juntar a Espanha, atual campeã mundial e da Eurocopa 2012, Taiti, representante da Oceania, mais o campeão africano (Copa Africana de Nações 2013). O grupo do Brasil, classificado por ser a próxima sede do Mundial, vai ter a Itália (vicecampeã da Euro 2012), México (Concacaf) e o Japão pela Ásia. A arte do Uruguai é baseada nas cores do uniforme home 2010 da Puma, com algumas estilizações, sendo meu primeiro desenho desta fase do blog, feito ainda no software FreeHand 11 (aprendi muito com meu amigo Gerson Mora). Meu time é bastante ofensivo, escalado com tres atacantes, com Forlán - melhor jogador do Mundial da África do Sul - Loco Abreu (ex-Botafogo/RJ) que protagonizou uma cavadinha no último penalti das quartas-de-final contra Gana. Vale lembrar que o Uruguai ressurgiu como força na Copa de 2010 com algumas coincidências: foi derrotada pela Holanda (Grupo C em 1974), terminando em 4º lugar, mesma posição da Copa de 1970 onde também perdeu para a Alemanha (Ocidental). E não pára por aí: o Uruguai (campeão em 1930/1950) foi uma grande potência do futebol até o Mundial do México'70, perdendo a chance de disputar o tricampeonato, justamente para o Brasil (bicampeão em 1958/1962) que venceu a Itália (bicampeã em 1934/1938) ficando definitamente com a Taça Jules Rimet, até ser roubada em 1983. A Gulliver lançou em 2006, na série "FIFA World Cup Germany 2006", um botão azul celeste da Argentina que combina com os escudos do Uruguai. Quando comprei este botão, pensei em decorar com escudos da seleção uruguaia que ficou de fora da série da Gulliver. Esses times de seleções vem com adesivos da bandeira do país, o que acho, particularmente, muito chato para os botonistas, pois lembro bem dos emocionantes Gulliver anos 80 com os escudos das seleções.

Botões azul celeste (Argentina) da Gulliver: cores peroladas para as seleções
Cartela da coleção de Futebol de Botão da Gulliver "Germany 2006"

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Histórias do Lobo e do futebol

No último dia 13 de agosto, um brasileiro, jogador, técnico da seleção brasileira, do Botafogo-RJ, Flamengo-RJ, único tetracampeão mundial de futebol, fez 80 anos. “Velho Lobo”, vencedor, obstinado e supersticioso com o mítico número 13: “Brasil campeão tem treze letras e Argentina vice, também tem treze letras”, é uma de suas frases mais famosas. Seu nome: Mário Jorge Lobo Zagallo.
Em entrevista ao canal SPORTV, Zagallo conta fases da carreira, entre elas o primeiro título mundial de 1958 e as campanhas de 1970, 1974, 1994, 1998 e 2006. Ele esteve no maracanasso na final entre Brasil e Uruguai na Copa de 1950, ainda como espectador, porém, predestinado a mudar o futuro da seleção brasileira (ainda não era a canarinho pois usava o uniforme branco). “Eu tenho verdadeira paixão pela amarelinha [...] ainda posso contribuir de alguma forma com a seleção”, disse inconformado sobre a eliminação do Brasil na Copa América 2011, quando a seleção perdeu todos os pênaltis na disputa contra o Paraguai.
Depois do drama de 1950, Zagallo junto a Pelé, Garrincha & Cia, conquistava em 1958, em Estocolmo, o tão sonhado título mundial contra a Suécia por 5 a 2.  Aos 4’ do primeiro tempo os donos da casa abrem o placar – voltava o pesadelo de 1950 – logo superado pelo Brasil que virou em 2 a 1. Na etapa final, o jovem Pelé marcou o 3º, Zagallo o 4º, a Suécia descontou e Pelé fez o 5º, um dos maiores gols da história das Copas. Brasil campeão.
Em 1962 no Chile, última de Zagallo como jogador (com Pelé machucado na primeira fase), as vitórias da campanha do bicampeonato foram comandadas por Garrincha.  O Brasil teve poucas alterações. Amarildo substituiu Pelé contra a Espanha e apesar de Pepe estar melhor na ponta esquerda, Zagallo foi o titular. O jornalista Celso Unzelte, autor de “O livro de ouro do futebol” (Ediouro, 2002), faz a seguinte descrição sobre o Brasil na Copa de 1962:
“Com Pelé definitivamente fora da Copa do Mundo, coube a Garrincha fazer um pouco de tudo. E ele fez: passes, cruzamentos, dribles e quatro gols, entre eles um de cabeça e outro de pé esquerdo, jogadas que não eram parte do seu repertório”. (p.165)

 Brasil bicampeão. Zagallo deixava a ponta esquerda para treinar os juniores do Botafogo em 1966. No ano seguinte com o time profissional foi campeão carioca e, em 1968, o bicampeonato e a conquista da Taça Brasil.

PRA FRENTE BRASIL, SALVE A SELEÇÃO
O “convite” para treinar a seleção brasileira veio após a saída do jornalista e técnico João Saldanha que havia ganhado as eliminatórias para o Mundial do México’70. Neste episódio polêmico da CBD em pleno regime militar, Zagallo se defende dizendo: “Falaram que eu tinha pégo a seleção pronta do Saldanha. Isto me incomodava porque não era a realidade. Eu passei de um 4-2-4 das eliminatórias para um 4-3-3. Meu ponta-esquerda seria o Paulo César Caju e o Tustão apenas o reserva do Pelé. Eu coloquei dois reservas, o Rivellino e o Clodoaldo para jogar no meio-campo ao lado do Gérson, sendo que o Piazza passou a quarto-zagueiro. No gol, jogava Ado ou Lião (mais o Ado), na lateral-esquerda, Marcoantónio [...] O Tustão vinha de uma cirurgia no olho e se destacou como pivô de área (como no basquete). Mudou totalmente, eu já sabia o que iria fazer com a seleção, pois Copa do Mundo é outra coisa!”

Brasil na Copa de 1970: a mesma formação 
com o Peru e na final contra a Itália
Para Zagallo, o jogo principal na campanha do tri foi Brasil 1X0 Inglaterra, com boa atuação de Paulo Cesar e gol de Jairzinho diante dos campeões de ’66, que teve ainda, uma cabeçada de Pelé quase indefensável para Gordon Banks que desviou espetacularmente para escanteio. Mas, segundo ele mesmo, a semifinal contra o Uruguai mexeu com o fantasma da final perdida de 1950: “No intervalo dei um esporro na equipe [...] havia uma pressão feita pela imprensa na véspera da partida contra os uruguaios e eles eram muito jovens, não tinham nada a ver com aquilo”. De virada, Brasil fez 3 a 1 seguindo para a final contra a Itália, também bicampeã (1934/1938) na disputa definitiva pela Taça Jules Rimet. Brasil tricampeão.

“AÍ SIM, FOMOS SURPREENDIDOS”
Na Alemanha, em 1974, tudo seria diferente com mudanças no time (sem Pelé que se despediu da seleção contra a Iugoslávia, em 1971) e a Holanda pela frente, a melhor seleção da Europa que se movimentava constantemente e os jogadores não guardavam posição fixa. Em transmissão do jogo Holanda 2X0 Uruguai feita pela TV Cultura, nota-se a surpresa do narrador Luiz Noriega vendo o esquema tático dos holandeses que envolvia os uruguaios. Depois de uma classificação magra na primeira fase vencendo a República Democrática do Congo (Zaire) por 3 a 0, a seleção brasileira até embalou: fez 1 a 0 na Alemanha Oriental, 2 a 1 na Argentina e parou diante do carrossel holandês, perdendo por 2 a 0, com o zagueiro Luis Pereira expulso. Segundo Unzelte relata em seu livro:

“Na véspera da partida contra a Holanda, o técnico brasileiro Zagallo procurou menosprezar o futebol do adversário. ‘É um bom time, mas nada de especial’, chegou a dizer sobre os holandeses”. (p.205)  
Com gols de Neeskens e Cruyff aos 20’ do segundo tempo, acabava o sonho do tetracampeonato para Zagallo, diante da favorita Holanda que seria vice, perdendo por 2 a 1 para o futebol pragmático de forte marcação da Alemanha Ocidental, comandada por Beckenbauer. Zagallo reconheceu: “Caímos diante de um futebol de primeira linha”. Rinus Michels treinador holandês de volta à seleção em 1978, com alguns jogadores da laranja mecânica, não conseguiu repetir a mesma revolução futebolística de 1974. Johan Cruyff por questões políticas, se recusou a jogar o Mundial da Argentina, na época governada por uma junta militar e a Holanda novamente perdeu a final para a anfitriã por 3 a 1.



Brasil na Copa de 1974: Brindisi marca o gol da Argentina em jogo da segunda fase
“É TETRA, É TETRA!”
Em 1994 na Copa dos EUA, Zagallo foi chamado pela CBF para ser coordenador técnico de Parreira. Os dois treinadores já haviam trabalhado juntos na campanha do tricampeonato em 1970 (Parreira era prepador físico) e segundo Zagallo, “éramos uma dupla sem vaidades”. A ideia da dupla de treinadores seria inovadora, porém, não resistiu a pressão popular que pedia a volta de Romário, cortado por indisciplina nas eliminatórias, na qual o Brasil sofreu sua primeira derrota na história do torneio, em La Paz, para a Bolívia por 2 a 0. No último jogo o Brasil precisava da vitória contra o Uruguai para se classificar, superando a celeste com dois gols do próprio Romário, que marcou de cabeça e, depois de um drible desconcertante no goleiro (à la Pelé contra o Uruguai em 1970), carimbou o passaporte brasileiro para os EUA. Nas quartas-de-final estava a Holanda, campeã da Eurocopa 1988. Na época, Zagallo afirmou que tinha que devolver a eliminação de 1974 e que a laranja estava engasgada (nele) há muitos anos. O Brasil fez 3 a 2 com gols de Romário, Bebeto e Branco. Seria mesmo a Copa de Romário que marcou 6 gols, inclusive na final contra a Itália, a primeira decidida nos penaltis. Zagallo indicou Romário como batedor, apesar de não ter treinado as cobranças na véspera da partida: “Manda o baixinho bater!” Brasil tetracampeão.
“VOCÊS VÃO TER QUE ME ENGOLIR”
   A frase acima é a mais conhecida de Zagallo, dita após a conquista da Copa América de 1997 diante da rival Argentina. Tentava-se firmar pela herança de conquistas na seleção, pois em 1996, deixou escapar a medalha de ouro, eliminado pela Nigéria, nos Jogos de Atlanta. Romário lesionado estava na lista...de corte da seleção, sendo anunciado por Zico, então coordenador técnico para a Copa da França em 1998. O Brasil perdeu para a Noruega por 2 a 1 na fase de grupos. E depois de Chile e Dinamarca, mais uma vez a Holanda pelo caminho, agora nas semifinais. Com o resultado de 1 a 1 nos 90 minutos e 0 a 0 na prorrogação, a decisão foi para os penaltis. Aí entrou o otimismo exagerado de Zagallo  dizendo palavras de ordem para cada um dos jogadores visivelmente exaustos: “Vamos ganhar isso, hein...vamos ganhar”. Com Romário cortado para a Copa da França, Ronaldinho seria o grande protagonista, inclusive na final, com o caso da convulsão sofrida horas antes do jogo contra a França. Ronaldo passou por exames em Paris e a comissão técnica o liberou para a decisão. Mas minutos antes, na transmissão da TV Globo, o narrador Galvão Bueno dizia perplexo que Edmundo estaria escalado no lugar de Ronaldo. Para Zagallo, Ronaldo pediu para jogar. “O time estava apático, pensei que ele entrando em campo levantaria a equipe”, disse. Muita pressão em cima do jovem fenômeno, falava-se em exigências do patrocinador, estresse. Seria uma tentativa de surpreender o adversário, como no filme “El Cid” (Anthony Mann - EUA/1961), onde o lendário espanhol, após ser ferido em duelo, desfila morto em seu cavalo entre mouros e cristãos. Os brasileiros estavam literalmente desabando em campo (o goleiro Bhartes trombou com Ronaldo na entrada da grande área). Brasil perde por 3 a 0 para os le bleus. Brasil vicecampeão (não acontecia desde 1950!).
“EU VIVO A AMARELINHA”
Em 2006 na Alemanha, marca a volta da dupla Parreira/Zagallo, técnico e coordenador respectivamente no comando dos pentacampeões com o chamado “quadrado mágico”: Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. Só funcionou para Ronaldo tornar-se o maior artilheiro das Copas com 15 gols – a antiga marca era do alemão Gerd Müller com 12; Klose, também da Alemanha com 14 até o Mundial da África do Sul, poderá ultrapassar o fenômeno se jogar e marcar em 2014. Outra frustrada eliminação pela França, nas quartas com gol de Thierry Henri no segundo tempo, depois de escanteio cobrado e desatenção total da defesa. Zagallo passou maus momentos na Copa de 2006, com depressão após uma cirurgia para retirada de um tumor no duodeno.
E a história seguinte: Dunga na África, França eliminada na primeira fase, Alemanha 3º, Uruguai ressurge com o 4º lugar (o mesmo de 1970!), e Holanda eliminando o Brasil para ser vice diante da Espanha...tudo de novo, Zagallo?



Elson Leonidas, é músico, desenhista e colecionador de futebol de botão.