quinta-feira, 16 de abril de 2020

Palmeiras, de todos os tempos!



Caros leitores! Poderia utilizar jargões jornalísticos, títulos de filmes ou licenças poéticas para justificar minha volta às publicações. Prefiro ficar simplesmente com a emoção, ao saber da recuperação de um grande amigo de infância, acometido pela Covid-19, enfermidade que paralisou o mundo, em pleno século 21. Na quarentena, já havia voltado a desenhar (no Illustrator) os escudos de futebol de botão, alguns projetos parados de 2018/19, como Bahia, Juventude-RS, Avaí, Fortaleza, seguidos de Sampaio Corrêa-MA (em breve nas postagens). Aliás, Sampaio e Avaí de volta à Série B do Brasileiro em 2020, quando houver futebol, aulas, música, feiras de discos de vinil, parques e tudo mais que existia de vida social, antes do coronavírus. Foi quando dediquei a nova arte do Palmeiras ao meu amigo Nilton. Palmeirense "roxo" de sair do hospital com a camisa alviverde, ao som da canção "Help", dos Beatles. Em pleno confinamento nos desenhos, o Verdão falou mais alto!
A arte foi pensada a partir do uniforme home verde escuro, da campanha de Campeão Paulista de 2008, calção branco, listras brancas no ombro, com detalhes em vermelho na gola e no tecido. Fiz uma estilização gráfica da modelagem da fornecedora esportiva (Adidas), com estampa do patrocinador principal (Fiat) e, escudo com a estrela vermelha, referência à conquista da Libertadores de 1999. Na tipologia, usei a fonte Adidas Unity para numeração e nomes dos jogadores. A primeira vista, esbocei a possibilidade de desenhar o marcante uniforme de 99 (Rhumell/Parmalat), mas "tava na mão" a template da Adidas de outras artes, influenciado pelos vídeo-tapes retrôs dos jogos da Seleção Brasileira na Copa de 82, no canal SPORTV. No desenho do goleiro (medidas 81 mm x 36 mm), a tradicional camisa azul do Marcão. Os escudos ficaram com diâmetro de 30 mm, ideal para montagem nos botões de lentes (vidrilhas), como nos antigos Brianezi ou Crakes.
Finalizando o projeto gráfico da cartela, surgiu a ideia de listar uma escalação do "Palmeiras de todos os tempos", minha versão com craques das décadas de 1970 e 1990. Depois de pesquisar como seria esse time na opinião de jornalistas, fechei a escalação com algumas lendas que jogaram nos meus times de botão do Palmeiras. Na defesa Luís Pereira (revelado pelo São Bento), zagueiro bicampeão brasileiro (72/73), no meio-campo a segurança do volante Dudu e a maestria de Ademir da Guia, eterno camisa 10 do time. O cabeceador Leivinha (263 jogos, 105 gols pelo Palmeiras), completa o ataque ao lado dos matadores Edmundo e Evair.

Palmeiras em 1972: Luís Pereira, Leivinha, Ademir da Guia e Leão

Na Copa de 1974, a então seleção tricampeã do mundo trazia Luís Pereira (camisa 2) na zaga titular, até a estonteante derrota  para a Holanda por 2 a 0, onde foi expulso perto do final. O atacante Leivinha (contratado da Portuguesa/SP em 1971), fez o milésimo gol da seleção em 1973. Convocado para o Mundial, disputou as partidas da fase de grupos, contra Iugoslávia, Escócia e Zaire. Ademir da Guia com a camisa 18, jogou Brasil 0 x 1 Polônia, na derrota pela disputa do 3o. lugar. Na partida, em razão do contraste das imagens de TV, o Brasil vestia camisa amarela e calção branco, este talvez, sem a mesma magia do "divino" da Academia.
Mais dois botões completam a reserva, com jogadores do Verdão dos anos 2000: o versátil Zé Roberto e "el mago" Valdívia, mais fôlego para eterna Academia de Futebol, como ficou mundialmente conhecido o time do Estádio Palestra Itália, nas décadas de 60/70.

O time de ouro do Palmeiras ficou escalado assim:
12. Marcos, 2. Arce, 3. Luís Pereira, 4. Antonio Carlos e 6. Roberto Carlos; 5. Dudu, 10. Ademir da Guia, 8. Leivinha e 11. Rivaldo; 7. Edmundo, 9. Evair.

E como técnico não joga futebol de botão, fica a dica para o homenageado Niltinho anotar na cartela: Oswaldo Brandão, Luxemburgo ou Felipão?
Bem amigos, só pra constar nesta postagem, o São Marcos da Libertadores e da Copa de 2002, me desculpe, mas meu goleiro do "Verdão de todos os tempos" é o Leão!

(nota: No meu time de botão, vou jogar de Lião, como diria Zagallo.)




     

sábado, 15 de outubro de 2016

De volta ao país 'dos' 7 a 1

Brasil 2014 com botões do tipo "lente de relógio": reciclagem prevendo 
vários "7 a 1" no País, muito além do futebol
O Brasil é o líder das Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 2018, após a décima rodada, um ponto a frente do Uruguai. Agora, é possível pensar na classificação para o Mundial da Rússia, depois de uma fraca campanha da seleção de Dunga até a sexta rodada - 9 pontos, sexto lugar e fora até da repescagem da quinta vaga sulamericana, se terminasse assim. Ou melhor, se a CBF desgastada por escândalos pós-Copa 2014, não chamasse outro treinador. "E assim falou" Tite, vitorioso no Corinthians, respeitado pelo futebol e, acima de tudo, um talentoso treinador capaz de elevar a moral dos jogadores, chegando a quatro vitórias em quatro jogos. A seleção sentiu o golpe, desde o 7 a 1 da Copa, uma espécie de reedição do maracanaço de 1950. Eliminado na Copa América 2015, Copa América Centenário 2016 (fase de grupos) pelo Peru com gol de mão, o futebol brasileiro andava capengando, sem brilho, sem equipe, muito na Neymar-dependência.
Mas vieram a Rio-2016, com a tão sonhada medalha de ouro, conquistada diante da Alemanha (sub-23) e a sequência imponente das vitórias de Tite. Neymar marcando gols decisivos, incluindo a final das Olimpíadas, dessa vez, na companhia de Gabriel Jesus (Palmeiras), Renato Augusto, Philipe Coutinho, Wiliam, além da experiência dos zagueiros Miranda, Daniel Alves e dos bons goleiros Alisson e Weverton. Tite é unaminidade na seleção. Se Felipão foi o cara em 2002 no pentacampeonato, poderia destacar lá atrás, Telê Santana nas Copas de 82/86 como treinadores que tiveram grandes seleções "na mão". Tá, mas e o Parreira do tetra de 94? Tinha uma dependência dos gols de Romário, que só foi chamado no último jogo das eliminatórias contra o Uruguai  (marcou os dois golaços da classificação no velho Maracanã) pra depois ganhar a Copa dos EUA ao lado de Bebeto, Dunga e Tafarel.

Alemanha tetracampeã com uniforme rubro-negro

Para ilustrar essa postagem, escolhi exatamente os times de Brasil e Alemanha que fiz ainda em 2014, para uma encomenda. Os botões são do tipo "lente de relógio", pintados à mão, com escudos impressos à laser, porém customizados à moda retrô (papel, fita adesiva) como nos anos 1970. Na seleção brasileira optei por uma arte pronta do escudo, pintando de amarelo o fundo (lente). Para a Alemanha, fiz uma montagem (past-up) do escudo sobre a camisa rubro-negra do Flamengo, semelhante a camisa usada no mundial, também colorindo o fundo de vermelho. Os goleiros foram feitos com caixa de fósforos (6,2 x 4,0 x 1,7 cm) encapados com papel brilhante e distintivos. Com lentes de tamanhos entre 3,0 e 3,8 cm de diâmetro, o projeto ficou bem simpático e parece ter contagiado quem o recebeu, pois não conhecia o futebol de botão.

E agora, quem está na pior são os argentinos. Caíram pra quinto lugar na classificação, depois da derrota para o Paraguai (1 a 0, em Córdoba) e na próxima rodada encaram o Brasil, no Mineirão. Alguma chance de goleada a favor ou contra no mesmo estádio do 7 a 1? Não! Mesmo com a presença dos craques Neymar Jr. e Messi, fica difícil imaginar quando outra "tsunami" dessas vai acontecer entre grandes campeões. Whatever, na Copa América Centenário, rolou um Brasil 7 x 1 Haiti, ainda com Dunga no comando...
Rsrsrsrsrsrsrs,
"Vamos esperar a classificação pra Copa 2018...", disse o professor Tite!

Goleiro de caixinha: visual lembra uniforme do colossal 7 a 1
   

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Costa Rica "y la muerte"

Futebol de botão da Costa Rica: original sem referência do fabricante
A seleção da Costa Rica foi a grande surpresa da Copa do Mundo FIFA Brasil - 2014. Classificou-se em segundo lugar nas eliminatórias da Concacaf e caiu no chamado grupo da morte com três campeãs mundiais: Itália, Inglaterra e Uruguai. No seu quarto mundial, ficou em primeiro lugar no grupo D (2 vitórias; 1 empate) e, ainda mandou pra casa Itália e Inglaterra. Nas oitavas, depois de empatar em 1 a 1 venceu a Grécia, no penalti perdido por Gekas. Em jogo equilibradíssimo pelas quartas, resitiu a prorrogação diante da forte Holanda, em partida definida na substituição do goleiro -Krul, o 2º reserva especialista em penaltis, pegou 2 vezes. Foi a morte para a Costa Rica.  

A outra revelação que envolve essa postagem é o time de futebol de botão da seleção costarriquenha, original gentilmente cedido por meu sobrinho André Fonseca, de São Paulo. De fabricante "desconhecido", esse botão sempre me chamou a atenção, pois não é comum as marcas comercializarem tais seleções menos expressivas. São botões feitos de plástico, semelhantes aos da marca MiniPlay, que fabrica brindes para festas, encontrados em lojas do tipo Rua 25 de Março. Medem 40 mm de diâmetro por 4 mm de altura, sendo o fundo cavado com área de atrito variando entre 1 e 1,5 mm. O material plástico é mais leve e mole e ainda possui as rebarbas da fabricação. Os adesivos de impressão gráfica medem 23 mm de diâmetro (padrão para brinquedos), com o escudo da seleção e a inscrição Costa Rica em fonte comum (Arial). No escudo há uma figura estilizada de um jogador (em preto) semelhante ao usado na Copa de 2006. Segundo André, esse time de botão foi presente de algum aniversário, entre 2002 e 2006. Como retomei minha coleção de botão em 2005, acredito que essa Costa Rica é de um fabricante mais popular, pois na época da Copa de 2006, era possível encontrar seleções como Estados Unidos, Angola, Nigéria, Sérvia e Montenegro, por exemplo, com botões pretos e adesivos com escudos. A Gulliver lançou a série "FIFA World Cup Germany - 2006" com seleções tradicionais, como a Alemanha, do grupo A que tinha Costa Rica, Polônia e Equador. E ainda pode ser da Copa de 2002, onde a Costa Rica enfrentou Brasil, China e Turquia. O mais incrível (para colecionadores) é a cor dos botões da Costa Rica - azul turquesa - suficiente para ser uma simpática raridade. Caros leitores, quem tiver maiores informações sobre esse botão, fiquem à vontade pra comentar!
    

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Japão e as figurinhas de 2010

Customização dos botões Gulliver: adesivos do Japão
com as figurinhas da Copa de 2010
A seleção do JAPÃO foi a primeira classificada para a Copa do Mundo FIFA-2014, pelas eliminatórias asiáticas. É a quinta participação seguida em Copas, desde 1998 na França. Seu primeiro resultado expressivo no futebol foi em 1968, conquistando a medalha de bronze nas Olimpíadas da Cidade do México. Na década de 1990, iniciou a profissionalização do futebol com a criação da J-League. O Japão é tetracampeão da Copa da Ásia (1992/2000/2004/2011) tornando-se a maior força do futebol asiático, seguido pela Coréia do Sul. As duas seleções realizaram em conjunto a Copa de 2002, que se tornou o primeiro mundial da Ásia e a única competição da FIFA com duas sedes. O desempenho dos japoneses vem crescendo em mundiais, porém, ainda sem resultados expressivos. Em 1998 foi eliminado na fase de grupos, perdendo todos os jogos. Em 2002 como país-sede, empate em 2 a 2 com a Bélgica, 1 a 0 contra a Rússia, 2 a 0 na Tunísia e nas oitavas, foi eliminado pela Turquia por 0 a 1. Em 2006, sob o comando do técnico Zico, o Japão caiu no grupo do Brasil, com duas derrotas (Japão 1 x 3 Austrália; Japão 1 x 4 Brasil) e um empate sem gols com a Croácia na primeira fase. Na Copa de 2010, duas vitórias e uma derrota (Japão 1 x 0 Camarões; Japão 0 x 1 Holanda; Japão 5 x 1 Dinamarca) e nova eliminação nas oitavas, perdendo nos penaltis para o Paraguai. Na FIFA World Cup Brasil os japoneses estão no grupo C, estreando contra a Costa do Marfim (Arena Pernambuco-Recife), Grécia (Arena das Dunas-Natal) e Colômbia (Arena Pantanal-Cuiabá). Na fase de grupos, a seleção do Japão estará hospedada em Itú-SP, treinando em Sorocaba no estádio Walter Ribeiro (CIC), sob o comando do técnico italiano Alberto Zaccheroni. São destaques dos samurais azuis o meia Keisuke Honda (Milan-ITA) e o atacante Shinji Kagawa (Manchester United-ING). Até hoje, Zico é considerado ídolo no futebol japonês (Kashima Antlers, 1991/1994, com 54 gols). Responsável pela popularização da liga de futebol no país, o galinho treinou o Japão de 2002 a 2006.


Meu time de botão do Japão começou a ser elaborado ainda na Copa de 2010 (África do Sul), quando colecionei o álbum de figurinhas. Com um "olhar de desenhista", percebi que algumas seleções tinham cromos dos jogadores onde os escudos estavam destacados. Resolvi guardar dez figurinhas repetidas que poderia "enquadrar" as camisas para fazer os adesivos dos botões no tamanho básico (2,4 cm de diâmetro). Com design único, a cartela do Japão apresenta o uniforme home da Adidas (cor azul com 3 listras brancas na manga e detalhe em vermelho na gola) com o belo escudo da seleção japonesa. Para completar o projeto, escolhi um time da Gulliver (botão branco, de plástico) da série "Futebol Bolão" (veja passo-a-passo abaixo). Na atual edição da Panini para o álbum da Copa do Brasil-14, algumas figurinhas oferecem esse enquadramento, com os tradicionais uniformes do Brasil, Croácia e, os novos designs de Alemanha e Rússia, por exemplo. Pra quem não guardou as repetidas de 2010 (França, Camarões, Holanda, Japão) outra possibilidade é escanear o álbum da Copa da África do Sul, fazer a arte em programas de edição de fotos e imprimir as cartelas para adesivar os botões.

ARTE-FINAL DE ESCUDOS COM AS FIGURINHAS DA COPA

1- Selecione as figurinhas repetidas da sua coleção que tenham o escudo em destaque. Você vai precisar de régua, gabarito de círculos, tesoura e lapiseira; 2- Use o gabarito para enquadrar o escudo; faça um círculo de 2,4 cm de diâmetro com grafite azul sobre a foto. 3- Recorte com a tesoura a área marcada na figurinha. Por último, destaque a parte autocolante e escolha os botões para adesivar.      


domingo, 30 de março de 2014

Holanda - 1974: a Copa perdida no tempo e na bola

 
Botões na cor laranja: a Gulliver manteve o modelo dos anos 70,
substituindo os escudos por bandeiras
 
Faltavam 74 dias para a abertura da Copa do Mundo FIFA-2014, quando relatei aos leitores minha primeira lembrança dos mundiais. Foi a Copa de 1974. Na Alemanha dividida, em meio à Guerra Fria, ditadura militar no Brasil, Seleção sem Pelé e meu primeiro ano do colégio estadual. Não tenho maiores registros dos acontecimentos - uma ou outra revista da época - pois muita coisa se perdeu, como meu álbum de figurinhas da Copa e meus primeiros times de botão da Estrela, com as carinhas dos jogadores. Por muito tempo, ficaram na memória, as imagens em preto e branco da minha tv General Eletric, na qual, supostamente assisti os jogos da Seleção Brasileira. No Brasil, a TV Globo já exibia programas em cores, como o "Fantástico" e a novela "O Bem-Amado" e transmissões ao vivo. Na verdade, o que ficou lost foi a sensação de ter asssistido os jogos ao vivo e não no videotape (depois da Copa). O primeiro jogo do Brasil foi contra a Iugoslávia na abertura do torneio (seria imperdível), um zero à zero entediante jogando de camisas "escuras" (uniforme azul) com os tricampeões Rivellino, Jairzinho e Piazza. Depois, outro empate sem gols contra a Escócia (o time de Zagalo não embalava) e no terceiro jogo, teria que derrotar o Zaire por 3 gols pra se classificar. Torcida juvenil em frente a tv: o futebol brasileiro contra a ingenuidade dos africanos numa "goleada" que ficou no 3 a 0, graças à Jairzinho (12'), Rivellino (66') e Valdomiro (79'). O Brasil ficou em segundo lugar no grupo B, pelo saldo de gols (3 contra 2 dos escoceses) caindo na segunda fase com a Holanda.


Cruyiff troca flâmulas com Perfumo (Argentina):
supersticioso, ele usava uniforme com duas listras

É aí que minha história chega ao penúltimo capítulo: o duelo contra a Holanda, de Cruyiff e cia. Só lembro de ver os holandeses no mundial jogando contra o Brasil, mesmo assim, tenho dúvida se foi ao vivo, pois o fatídico jogo foi repassado algumas vezes pela TV Cultura. Sob o comando de Rinus Michels, a Holanda tinha jogadores habilidosos do Ajax, tricampeão europeu em 1971/72/73, que se movimentavam como um "carrossel". Apenas o goleiro Jongbloed, que usava o número 8, era fixo. Jogando sem luvas, quando atacado rebatia a bola com socos e cabeçadas. Na intermediária defendiam em bloco, literalmente com 4 ou mais jogadores abafando o adversário. Atacavam o tempo todo, mesmo contra Uruguai, Brasil e na final contra a Alemanha Ocidental. A Holanda que havia disputado as Copas de 1934 e 1938, teve uma campanha alucinante em 1974, com 5 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Na fase de grupos, the oranges derrotaram o Uruguai por 2 a 0; empate sem gols contra a Suécia; goleada de 4 a 1 na Bulgária; na segunda fase, mais uma goleada de 4 a 0 sobre a Argentina; 2 a 0 na Alemanha Oriental e 2 a 0 no Brasil. Na final, logo no primeiro ataque, um penalti a favor da Holanda convertido por Neeskens (2'), confirmaria o favoritismo diante da Alemanha Ocidental, que empatou com a mesma moeda, outro penalti convertido por Breitner (25'), para virar o placar em 2 a 1, ainda no 1º tempo com Mueller (43'), que se tornaria o maior artilheiro das Copas (14 gols) até Ronaldo (15 gols) em 2006.

Holanda da Gulliver para a Copa de 2006 (Alemanha) com adesivos modificados 
Meu time da Holanda é um botão laranja da Gulliver "World Cup Germany 2006", customizado com adesivos da marca Miniplay (distintivo) comprados na rua 25 de março, por cerca de R$0,90! Na época do Mundial da Argentina (1978), jogava muito com outro botão da Holanda, um Gulliver do inseparável amigo Zé Augusto (sim, ele tinha as seleções com distintivos!) com os craques Neeskens, Resenbrink, Han, Repp e Cruyiff, que não foi a Copa de 1978 por temer a situação política na Argentina. No meu segundo mundial assistido (quase) na íntegra, vi a tal laranja mecânica ser desmontada pelos hermanos. Voltando ao penúltimo capítulo dessa história - Brasil 0 x 2 Holanda - lembro das partidas anteriores da segunda fase, onde os canarinhos derrotaram a Alemanha Oriental por 1 a 0 (gol de Rivellino) e a Argentina por 2 a 1, no clássico mais esperado das Copas, partida que assisti em Águas de Santa Bárbara-SP, na casa de meus primos. O filme oficial da FIFA - Copa de 1974, mostra a trajetória da Alemanha Ocidental, país sede, com sua estratégia para chegar a grande final e a Holanda goleando os adversários. Pouco mostra o Brasil tricampeão, dono da Taça Jules Rimet, que foi substituída pela FIFA World Cup, pela primeira vez em 1974. No filme, os craques brasileiros pareciam não acreditar no que já havia acontecido com Uruguai, Bulgária e Argentina: só a Holanda jogava, envolvendo a seleção com posse de bola, forte marcação e o "carrossel", tática onde nenhum jogador de linha guardava posição fixa. O primeiro sonho do tetra, terminava com Rivellino irritadíssimo com a marcação, Leão defendendo (quase) tudo e Luis Pereira expulso mostrando o escudo da seleção e o número 3 (tri) para torcida holandesa.

No último capítulo, a trilha sonora da final ganha uma orquestração "dramática", com sons percussivos (batalha do jogo) e canto melancólico (dos holandeses derrotados). E a geração fabulosa da Holanda voltaria ser vicecampeã contra a Argentina (1978). Michels voltou a treinar a seleção em 1988, tornando-se campeã da Eurocopa com Gullit e Van Basten. Foi derrotada na África do Sul (2010) pela Espanha, confirmando sua marca de vicecampeã pela 3ª vez!


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Botafogo-SP, do doutor Sócrates

Futebol de botão da Canindé comercializava times paulistas tradicionais

Caros leitores, aproveito a boa fase dos times do Interior paulista pra postar meu botão do Botafogo Futebol Clube. Tradicional clube de Ribeirão Preto, foi campeão do Primeiro Turno do Campeonato Paulista de 1977, diante do São Paulo, revelando o meia Sócrates para o futebol brasileiro, mais tarde, ídolo do Corinthians e da Seleção Brasileira. Original da marca Canindé, como não poderia faltar, o Botafogo-SP fez história nas partidas de botão do meu Estrelão. Uma das poucas fábricas que comercializavam times como, XV de Piracicaba, Ponte Preta, Portuguesa de Desportos, Londrina, Náutico e Sport Recife, por exemplo, usava o slogan "Único em acrílico" em destaque nas caixas amarelas. O botão era transparente, sem a cor predominante dos clubes e mais robusto do que os Gulliver da série Cristal. (encontrei na internet fotos do Santos da Canindé com botões vermelhos, bem estranhos...). Na série "Campeões do Brasil", os adesivos dos escudos eram simples, sem decoração ou numeração dos jogadores. Em Sorocaba, comprava esses botões num bazar de utilidades domésticas, ainda situado na Rua Sete de Setembro, porém, hoje em dia não vende mais jogo de botão. Sempre mais lentos, os botões da Canindé eram um pouco maiores e ganhavam o jogo nas divididas. Como era costume jogar sozinho, "fazia acontecer" os resultados, muitas vezes reeditando jogadas clássicas, ou seja, time pequeno poderia surpreender os grandes. Essa era a magia do futebol de botão, incluindo narração, reportagem e barulho da torcida!

Botafogo-SP original da Canindé: numeração artesanal
O Botafogo de Ribeirão Preto foi campeão do Torneio Internacional da Argentina nas edições de 1962, 1969, 1971 (vencendo o Boca Juniors por 5 a 3 em LaBombonera) e 1972. É um dos clubes do Interior que mais revelaram jogadores convocados para Seleção Brasileira, entre eles, Baldochi, Sócrates, Zé Mario, Raí, Cicinho e Doni. O doutor Sócrates treinava pouco no Botafogo (em parte, por cursar Medicina) e pensava suas jogadas sem rifar a bola nos 269 jogos pelo clube. Seu toque de calcanhar foi imortalizado: passes, dribles e gols. Jogou o chamado "futebol-arte" da Seleção Brasileira nas Copas de 1982 (Espanha) e 1986 (México) marcando 4 gols. O Botafogo foi vice-campeão Paulista em 2001, derrotado pelo Corinthians. No ano seguinte, foi rebaixado para Série A-2, voltando à elite paulista em 2009. Seu campo é o Santa Cruz, terceiro maior estádio particular do País, com capacidade para 50 mil torcedores, sendo palco do jogo Brasil 2 x 2 Polônia (1993). Faz o dérbi local contra o alvinegro Comercial, com vantagem de 21 vitórias, 17 empates e 9 derrotas, pelo Campeonato Paulista no período de 1959 a 2012. Tem a maior invencibilidade do confronto com 11 vitórias (1966-1977). Seu uniforme tricolor foi muito semelhante ao do São Paulo, nas duas versões: home (branco com listras horizontais em vermelho e preto com escudo no centro) e visitante (listrado em vermelho, preto e branco). Era confuso ver os uniformes de Botafogo-SP x São Paulo na tv, mas no futebol de botão, sobrava originalidade nesse time do Botafogo da marca Canindé.

Botões do Botafogo-SP da marca Canindé, da série Campeões do Brasil

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Cruzeiro (1966-1976): dez anos de ouro


O Cruzeiro Esporte Clube também surgiu como Palestra Itália, na cidade de Belo Horizonte (1921), seguindo a tradição de clubes fundados pela colônia italiana, assim como o Palmeiras. Em 1942, sob pressões políticas impostas pelo governo federal, todos os times que faziam referência à Itália foram "convidados" a trocar de nome. Dessa forma, o palestra mineiro adotou como símbolo a constelação do Cruzeiro do Sul e o uniforme azul e branco. O campeão brasileiro de 2013 teve grandes equipes, como a campeã de 2003 que marcou 100 pontos no primeiro Brasileirão disputado no sistema de pontos corridos, consagrando o meia Alex e o técnico Luxemburgo. Em 1976, o talentoso time campeão da Libertadores, derrotou o River Plate (ARG) na melhor de 3 partidas: no Mineirão, vitória por 4 a 1; no Monumental de Nuñez, derrota por 2 a 1; no Estádio Nacional de Santiago, vitória por 3 a 2. No mesmo ano, foi vicecampeão da Copa Intercontinental contra o Bayern de Munique, que tinha a base da Alemanha campeã mundial de 1974, com Beckenbauer, Müller e o lendário goleiro Maier. O Cruzeiro foi pentacampeão mineiro (de 1965 a 1969) se destacando no futebol brasileiro em 1966, quando a jovem equipe mineira derrotou o incrível Santos de Pelé (bicampeão mundial), na final da Taça Brasil. Reconhecido pela CBF como campeão nacional, as imagens em P&B desse jogo, mostram que o Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza e Raul Plasmann, não tomou conhecimento do Santos, quase imbatível nos anos 60. Na partida do Mineirão, o Cuzeiro bateu o Santos por inimagináveis 6 a 2; em São Paulo, outra vitória (de virada) por 3 a 2. Tostão foi o primeiro jogador mineiro a disputar uma Copa (1966), na qual o Brasil bicampeão, foi eliminado na fase de grupos do Mundial da Inglaterra. Quatro anos depois, no México, conquistou o tricampeonato com a Seleção Brasileira que jogava com "meias atacantes" (ou a melhor seleção de todos os tempos), ao lado de Gérson, Pelé, Rivellino e Jairzinho.

Futebol de Botão Cristal (Gulliver, 2012): caixa de plástico para botões mais leves
O Cruzeiro foi duas vezes vice-campeão brasileiro nos anos 70: em 1974 contra o Vasco; em 1975 contra o Internacional. Na sequencia, foi o rival Atlético que chegou às finais do Brasileirão: em 1976 perdeu a semi-final para o Internacional; em 1977, perdeu a final para o São Paulo. Na época, jogava minhas primeiras partidas de futebol de botão, mas não tinha o time do Cruzeiro. Na verdade, lembro de jogar com um botão azul da Gulliver Cristal - emprestado pelo amigo inseparável Zé Augusto - que tinha mais ou menos o dobro da minha coleção. Como já postei o Atlético-MG dessa época (também da Gulliver), é provável que eu tenha gostado mais do galo, de Cerezo e Reinaldo, ao invés da raposa de Nelinho e Palhinha, que era o time de botão do Zé. Até o que sei, joguei e colecionei futebol de botão até 1983, mas só recentemente, comprei o Cruzeiro da mesma série Gulliver Cristal. Comparados com o modelo anos '70, os botões azuis são menos robustos, embalados em caixa transparente, com adesivos de escudos e trave grande (13,2cm x 5,3cm). O jogo atual vem com goleiro "de brinquedo", mas fica a dica: dá pra fazer um bom goleiro nas medidas 8,0cm x 3,6cm a partir de uma caixa de caldo de legumes, recortando-a neste tamanho. Logo mais, vou postar o passo a passo desse goleiro de caixinha. A marca de brinquedos Gulliver manteve o futebol de botão dos clubes brasileiros com distintivos, mas deixou as seleções da Copa com aquelas bandeirinhas de países...que chato! 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Botão enigmático da Estrela: Palmeiras ou Palestra?

PALMEIRAS é o atual bicampeão brasileiro da Série B, título pouco lembrado pela fatalidade do rebaixamento (2002/2012), que supera qualquer campanha vencedora fora da elite do futebol brasileiro. Com 8 títulos nacionais - somados as duas conquistas da Taça Brasil (1960/1967), duas do "Robertão" (1967/1969) e o tetracampeonato do Brasileirão (pós-1971) em 1972/1973/1993/1994 - o Palmeiras é o maior campeão brasileiro, ao lado do Santos FC. O segundo retorno à Série A se fez mais do que necessário, pois em 2014 o Palmeiras completará o seu centenário. De 1914, o clube fundado por imigrantes italianos era chamado de "Palestra Itália" (assim como o Cruzeiro-MG) até 1942, época da Segunda Guerra Mundial, onde o governo de Getúlio Vargas proibiu qualquer legenda em referência aos países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão). O vermelho que remetia à bandeira da Itália foi excluído do escudo institucional, substituído pelo verde e amarelo e a inscrição "Palestra de São Paulo". No mesmo ano, após muitas pressões políticas, o clube ganhou o nome de Sociedade Esportiva Palmeiras. Ao longo da história, o Palmeiras teve nove mudanças no desenho de seu escudo de camisa, sempre destacando a letra P. A Cruz de Savóia, símbolo da família real italiana (no século 19) foi adotada em 1915; as iniciais P e I entrelaçadas predominaram a partir de 1917, primeiro sendo inseridas em triangulo verde; depois sobre círculo branco (1919); até 1941 com o círculo verde alternando as cores das letras em branco e vermelho. Em 1942, com a mudança do nome para Palmeiras, optou-se apenas pela letra P inscrita em circulo verde, escudo que marcou o uniforme campeão da Taça Rio - 1951 (torneio interclubes não reconhecido pela FIFA). Em 1959 o alviverde fez a última alteração unificando os escudos: a palavra Palmeiras ladeada por 8 estrelas inscritas em círculo verde, contendo um círculo menor com o brasão da letra P. Este escudo foi reestilizado em 1977, permanecendo nas diversas versões do uniforme ocorridas nas últimas décadas.

Na minha coleção de futebol de botão, tenho um time do Palmeiras, da marca Estrela, botão verde escuro, modelo panelinha, um verdadeiro clássico do botonismo dos anos 1970. A questão (pauta desta postagem) é que o escudo impresso nos adesivos não faz referência direta a nenhum distintivo do Palmeiras, historicamente acima relatados. Os botões da Estrela produzidos até 1979, ficaram conhecidos por estampar fotos dos jogadores de cada time (adesivos das "carinhas") e, na última fase, manteve apenas os escudos dos grandes times. Neste botão, o desenho do distintivo é uma redução gráfica do escudo, com a tradicional letra P (em branco) sobre brasão de fundo verde claro e contorno preto. No atual escudo do verdão, o tal brasão com a letra P aparece em fundo de listras horizontais verdes. Portanto, não fica claro se a intenção da Estrela era estilizar o símbolo palmeirense ou se fazia referência a um possível "escudo perdido" da era Palestra. Não faz sentido a marca de brinquedos ter alterado o símbolo apenas no caso do Palmeiras, pois os outros botões da série "Times da Pesada", vinham com os distintivos oficiais, por exemplo, São Paulo, Fluminense, Flamengo e o Botafogo-RJ. Na época, o Palmeiras estava em grande fase e havia a concorrência de outra marcas, como a Gulliver (que usava o escudo alviverde atual) e a Canindé. Pode ter ocorrido "uma estratégia de marketing", para driblar uma disputa sobre o produto licenciado, ou ainda menos provável, uma troca grotesca do escudo, que "deu certo". Fiz uma rápida pesquisa de imagens na internet com as palavras-chave Palmeiras escudo, de resultados próximos ao campo da busca (escudos históricos do Palmeiras, Palestra Itália, etc), até chegar num escudo similar ao usado pela fabricante Estrela. O curioso é que tal escudo pertenceu à um time catarinense, o Palmeiras Esporte Clube (1944-1980), atualmente denominado Blumenau Esporte Clube, com vários títulos estaduais incluindo um vice da primeira divisão (1988)."...é estranho", diria o velho Lobo.


Time de botão da Estrela: Palmeiras na minha coleção há mais de 30 anos

Palmeirense desde a infância, tive outros botões do verdão que mais tarde foram customizados em outros times, como Coritiba e Goiás, dificeis de encontrar nas coleções originais. Ficaram perdidos no espaço da minha coleção, os saudosos botões da Estrela (do início dos anos 70) com as "carinhas" dos jogadores. Tinha jogo de botão dos quatro grandes paulistas: Santos, São Paulo, Corinthians e o Palmeiras bicampeão brasileiro (1972/73) de Leão, Eurico, Luis Pereira, Alfredo, Zeca e Dudu; Ademir da Guia, Leivinha, Edú, Cézar e Nei. Caros leitores, ficamos com o enigma do distintivo lançado pela marca Estrela nos anos 1970, de uma sutil mensagem subliminar do Palestra Itália (oito vezes campeão paulista) ao possível "erro da gráfica", no antigo (e irônico) jargão do jornalismo. #soquenaum.
Leia mais sobre a restauração dos adesivos do Palmeiras na "série vintage"

Campanha publicitária para o futebol de botão
da marca Estrela: Palmeiras com distintivo alterado 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Portugal e a última partida para o Brasil-14


Os "navegadores" - assim é chamada a Seleção Portuguesa de Futebol -  mudaram a rota da viagem para o "Descobrimento do Brasil-2014". Depois de ficar em 2º lugar nas Eliminatórias Européias, no grupo que classificou a Rússia, para chegar à Copa precisa superar a Suécia na repescagem. Além do equilibrado confronto Portugal x Suécia, mais seis seleções européias estão nos play-offs: Ucrânia x França, Islândia x Croácia e Grécia x Romênia. Mas o "jogo da morte" é mesmo Portugal x Suécia, porque nos 180 minutos estarão dois craques entre os melhores jogadores europeus - somente um deles virá ao Brasil. Pela Suécia, Ibrahimovic (PSG) de gols arrebatadores; por Portugal, Cristiano Ronaldo (Real Madrid), melhor do mundo pela FIFA-2008, talento em dribles e golaços. Ronaldo poderá ser o maior artilheiro português, superando Pauleta (47 gols). Eusébio (41 gols) foi o goleador da Copa de 1966, marcando 9 vezes na edição inglesa. O atacante moçambicano jogou 64 partidas por Portugal (1961-1973) e 15 anos pelo Benfica, marcando 638 gols.
Eusébio e a camisa de Portugal
(foto: "El Gráfico"/1972)
Portugal tem apenas cinco participações em Copas, fazendo sua estréia em 1966, na Inglaterra, onde terminou em 3º lugar, em campanha avassaladora comandada pelo craque Eusébio, o "pantera negra". Na primeira fase, Portugal caiu no grupo do bicampeão Brasil, com Hungria e Bulgária, classificando-se para as quartas-de-final com três vitórias (Portugal 3 x 1 Hungria; Portugal 3 x 0 Bulgária; Portugal 3 x 1 Brasil). No último jogo do Brasil na Copa de 1966, a Seleção enfrentaria Portugal, precisando vencer por 3 gols de diferença. Não aconteceu. Nem mesmo Pelé, jogando machucado e caçado pelos portugueses pode evitar a derrota. Visivelmente eliminada, a Seleção Brasileira sentiu a força do novo futebol europeu, adiando para o México'70 a conquista definitiva da Taça Jules Rimet. Nas quartas, em jogo espetacular, Portugal perdia por 3 a 0, mas venceu de virada a Coréia do Norte por 5 a 3, com 4 gols de Eusébio. Na semi-final perdeu por 2 a 1 para a Inglaterra e, na disputa pelo 3º lugar, venceria pelo mesmo placar a União Soviética do lendário goleiro Yashin. Depois de 20 anos, voltou à Copa do Mundo no México'86, sendo eliminados na primeira fase, repetindo tal campanha na Copa de 2002 (Coréia do Sul/Japão). Com a equipe vice-campeã da Eurocopa-2004 (Grécia 1 x 0 Portugal) que tinha Figo (recordista com 127 jogos), o técnico pentacampeão Luiz Felipe Scolari e a geração de C. Ronaldo, Portugal ressurge para o futebol mundial na Copa de 2006 (Alemanha). Passados 40 anos da "gloriosa" conquista de 1966 (o técnico era o brasileiro Otto Glória), os lusitanos chegariam em 4º lugar, depois de passar por Irã, Angola, México (fase de grupos), Holanda (oitavas) e Inglaterra (quartas). Na semi, perdeu para a França, de Zidane, (1 a 0) e na disputa do 3º lugar, foi derrotada pela anfitriã Alemanha (3 a 1) que não conseguiria disputar o tetra. Na última Copa-2010 (África do Sul), Portugal estava novamente no grupo do Brasil, com Costa do Marfim e a mesma Coréia do Norte (goleada de 7 a 0). Nas oitavas, foi derrotada pelo toque de bola da Espanha. Cristiano Ronaldo, na seleção portuguesa desde 2003, pode encerrar um ciclo classificando-se para "descobrir o Brasil", ou naufragar nos mares do Norte, pois a Suécia (com 12 participações em mundiais) define a classificação em casa, no segundo jogo da repescagem.
A ilustração dos escudos de futebol de botão está baseada no uniforme número 2 de Portugal. Camisa branca, calção verde, com tipologia que a Nike usou na Copa de 2010. Na escalação, um selecionado da geração de Cristiano Ronaldo, incluindo Deco, meia brasileiro que encerrou sua carreira no Fluminense. A marca Gulliver lançou um time de Portugal, com botões cor de vinho, na série "FIFA World Cup Germany-2006", com adesivos do tipo "bandeira do país", que empobrecem qualquer coleção. Na época, paguei centavos pelo meu exemplar que ainda está lacrado. Agora, arte pronta que será adesivada no inédito botão vinho, só falta o seleccionado luso não se qualificar no agregado contra a Suécia. Ai Jesus!

Futebol de botão "Bolão" da marca Gulliver: adesivos com as bandeiras dos países

Portugal da coleção "FIFA World Cup Germany 2006": lacrado e na cor vinho


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Atlético-PR: o "furacão" ainda sopra


O Clube Atlético Paranaense tornou-se conhecido como "furacão", depois de uma sensacional sequência de 11 vitórias seguidas no Campeonato Paranaense de 1949. Goleadas por mais de 4 gols, sendo o Britânia o primeiro a ser "varrido", segundo a manchete do jornal "Desportos Ilustrados" (O Furacão levou o Tigre de Roldão). O apelido continuou durante décadas, em outros esquadrões do Atlético, sendo o primeiro clube paranaense a participar de um campeonato nacional - Taça de Prata de 1959. Nos anos 70 não conquistou títulos até o bicampeonato paranaense, em 1982/83. Voltou a elite do futebol brasileiro derrotando o Coritiba, seu maior rival no Paraná, no título da Série B de 1995. O furacão obteve sua melhor fase entre 2000 e 2005, quando conquistou um tricampeonato paranaense (2000/01/02) e o título de campeão brasileiro da Série A (2001), derrotando o emergente São Caetano. Em 2004, foi vice-campeão brasileiro sob o regulamento de pontos corridos, classificando-se para Libertadores de 2005, onde também foi vice-campeão, perdendo para o São Paulo - final brasileira que se repetiu pela última vez no ano seguinte, com Internacional x São Paulo. Seu maior artilheiro é Sicupira (154 gols) que defendeu o Atlético de 1968 a 1976. O atacante Washington é o maior goleador de uma edição de Campeonatos Brasileiros, marcando 34 gols em 2004. De 1924, o rubro-negro surgiu da união de dois clubes: Internacional e América. Seu estádio está no mesmo local desde a sua fundação. Conhecido como Arena da Baixada, o "caldeirão" do Atlético foi reinaugurado em 1999 e passa por reconstrução para a Copa do Mundo de 2014. O recorde do "furacão de 49" somente foi batido após 59 anos, em 2008, quando o Atlético conseguiu 12 vitórias consecutivas. Em 2011, continuando a saga do descenso dos campeões brasileiros, o Atlético Paranaense terminou o Campeonato Brasileiro em 17º lugar, caindo para Série B. De volta à Série A-2013, os ventos do furacão encostam no G-4, liderados pelo veterano meia Paulo Baier, em fase de gols decisivos.

Desenhei os escudinhos do furacão com base nos últimos uniformes home, fornecidos pela marca esportiva Umbro, com camisa listrada rubro-negra e calcão preto. Pra ilustrar a arte, coloquei a logomarca retrô do antigo patrocinador (Philco), em letras caixa-alta. Na minha coleção de botão, ainda tenho o time customizado do Atlético-PR. De conservadíssimo botão vermelho, disco não-cavado da Gulliver (não lembro se originalmente era um São Paulo ou Flamengo), com escalação de jornal, numeração de calendário e nome do clube (cartões da Loteria Esportiva) em cima das faixas horizontais em vermelho e preto. Relíquia dos anos 80, época que fazíamos a arte pintada à mão e, só o goleiro de caixinha tinha distintivos impressos da "Gazeta Esportiva" ou da "Revista Placar". Diversão pura, sem arquivos jpeg ou vetoriais impressos à laser em casa!

Botão da Gulliver (modelo disco não-cavado) com arte rudimentar feita à mão
para o Atlético Paranaense, no início dos anos 80

sábado, 28 de setembro de 2013

São Bento, o verdadeiro Azulão


Com um recorde de 29 anos de permanência na elite do futebol paulista (1963-1992), entre os clubes do interior, o ESPORTE CLUBE SÃO BENTO ganhou como mascote um pássaro chamado Tira-prosa e o apelido de "azulão". Talvez pela sua tradicional camisa azul marinho ou por revelar craques nacionais que endureciam nas partidas contra os grandes times da capital. Seu centenário comemorado no último dia 14 de setembro de 2013, marcou a reabertura do antigo Estádio Umberto Reali, localizado no conhecido "bairro dos espanhóis" em Sorocaba. Palco de muitas vitórias e batalhas pelo Paulistão, o velho estádio agora será o futuro CT do Bentão, gramado que traz lembranças de jogaços contra times rivais do interior (Ponte Preta, XV de Piracicaba, América, Noroeste, Ferroviária) assim como os "clássicos" contra São Paulo, Corinthians, Santos, Portuguesa e Palmeiras, alguns relatados na primeira postagem do São Bento. Assisti alguns jogos ainda no Umberto Reali, mas foi no CIC - Estádio Walter Ribeiro, que batizei minha torcida sãobentista. Em 1978, após a inauguração chuvosa na derrota contra o São Paulo (2 a 0), passei a frequentar os jogos do Campeonato Paulista realizados à tarde, pois ainda não havia iluminação no gramado. Sempre em companhia dos amigos do ginásio (que jogavam muita bola e futebol de botão) lembro de jogos contra Juventus, Taubaté, XV de Jaú, Marília e uma goleada de 3 a 0 no Velo Clube (Rio Claro). E os grandes da capital jogavam no domingo: estádio lotado (quase 20 mil pessoas) com direito a arquibancada de visitantes e gente até o "barranco" da geral atrás do gol. Um dos últimos jogos que assisti no CIC foi São Bento x Corinthians na arquibancada inferior atrás do gol, e vi a bola que furou a rede entrando "por fora", no gol do Timão. Antes só ia ao estádio com meu tio corinthiano e meu pai. Uma vez, numa partida São Bento x Ponte Preta, rodada do meio de semana no velho campo da av. Nogueira Padilha, chegamos com o jogo em andamento. Arquibancadas lotadas, só foi possível acompanhar o jogo pelo alambrado. Baixinho, sem ver nada, somente escutava o barulho da torcida. Leonidas (meu pai), na época não era muito fã de futebol, mas até hoje, conta uma história de um jogo do São Bento, onde estávamos na arquibancada coberta quando uma garrafa (sim, de vidro!) passou raspando na minha cabeça. Lenda ou não, depois disso ficou mais difícil convencer "seu Léo" pra ir ao futebol.

Nos cem anos de futebol em Sorocaba, o São Bento teve vários rivais históricos, como a Associação Atlética Scarpa (na fase amadora) e o Estrada de Ferro Sorocabana Futebol Clube (no profissional a partir de 1953), nos quais tive a oportunidade de jogar nas categorias de base (de 1978 a 1982) - futebol de salão no Scarpa, e campo (lateral direito) no Estrada. O São Bento sagrou-se campeão paulista da Primeira Divisão, em 1962 (atual Série A-2), numa disputa em três jogos contra o América de São José do Rio Preto, subindo para a Divisão Especial (atual Série A-1). O jogo final foi disputado no Estádio do Pacaembu, com gol de Picolé (prorrogação), na vitória do Bentão por 2 a 1. Em 1963, o São Bento foi 4º colocado no Campeonato Paulista, na melhor campanha de sua história superando Corinthians e Portuguesa. O ponta-esquerda Paraná, revelado no clube, transferiu-se para o São Paulo em 1965 e foi a Copa do Mundo de 1966, com a Seleção Brasileira. Desde 1993 faz o dérbi sorocabano contra o Atlético Sorocaba, com vantagem para o Galo com 17 vitórias.
A arte dos escudos do São Bento foi uma das primeiras que desenhei em 2009, com referência a famosa camisa azul, apenas com o distintivo sobre a cor e a escalação baseada no grande time dos anos 1970. A outra versão é da camisa azul celeste, 1º uniforme da campanha do último acesso a série A-1 (2005) com a logomarca do patrocinador "Colaso" (fábrica de laticínios). Torci pelo São Bento também pelas transmissões de rádio, como na derrota contra o Flamengo de Zico no Maracanã e na fase final do Paulistão A-2 (2008), quando São Bento e Atlético Sorocaba foram prejudicados pelo "jogo marmelada" protagonizado por Oeste e Mogi Mirim que subiram para Série A-1. Em tempo, acompanhei entusiasmado aos jogos do Bentão pela tv (coisa inimaginável na infância): na Série A-2 pela TV Cultura (2005); na A-1 pelo Canal Sportv/Globo (2006/2007) e Rede Vida na conquista do título paulista da Série A-3 (2013). Inclusive o empate em 1 a 1, na final contra o Batatais no CIC, diante da fanática torcida, resultado somado à vitória beneditina por 3 a 1 no primeiro jogo. Outros tempos, mas "promessa é dívida"- então, falta juntar os amigos e ver o Azulão sorocabano de novo no Estádio Municipal. O São Caetano que despontou no futebol brasileiro em 2000, me desculpe, mas azulão mesmo, sempre foi o São Bento!

sábado, 31 de agosto de 2013

Suécia - no caminho do tetra


A surpreendente seleção da Suécia da Copa do Mundo de 1994, marcou o tetracampeonato da Seleção Brasileira. Foram dois confrontos nos EUA: na fase de grupos, empate em 1 a 1 (Silverdome, gols de Kennet Andersson e Romário) e na semifinal (Rose Bowl), o Brasil venceu por 1 a 0, gol solitário de Romário. Em jogo duríssimo, o baixinho artilheiro subiu para escorar de cabeça aos 35' do segundo tempo, para decepção do goleiro Ravelli e alívio nacional. A Suécia ficou em 2º lugar do Grupo B, com Brasil, Rússia e Camarões. Nas oitavas, passou por Arábia Saudita (3 a 1); nas quartas derrotou a Romênia nos penaltis (empate em 2 a 2) até chegar na semifinal contra o Brasil. Venceu a Bulgária na disputa do terceiro lugar, numa goleada por 4 a 0. Melhor ataque do mundial (15 gols), conquistado pela geração que também foi terceiro lugar na Eurocopa de 1992, com Brolin, Dahlin, K. Andersson, o cabeludo Larsson e o irreverente Ravelli.

A Suécia segue na disputa das Eliminatórias européias para a Copa de 2014, no grupo C (Alemanha/Áustria/Irlanda/Cazaquistão/Ilhas Faroé) para se manter entre as 10 maiores seleções (número de participações em Mundiais), com Ibrahimovic, craque do PSG. Entre os títulos, foi medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres (1948), terceiro lugar na Copa de 1950 (Brasil) e vicecampeã na Copa de 1958, onde foi país sede, derrotada por 5 a 2 no primeiro título mundial do Brasil. Nos 24 anos que separavam o tricampeonato do "é tetra, é tetra" do Brasil, os suecos ainda cruzariam o caminho do tão sonhado título da Seleção Brasileira, como na primeira fase da Copa de 1978, na Argentina. Nesse episódio, (me lembro do jogo até hoje) o Brasil teve um gol anulado quando a partida estava empatada em 1 a 1 (gol de Reinaldo). Na etapa final , aos 45'03", após cobrança de escanteio Zico marcou de cabeça, só que o árbitro da partida Clive Thomas (País de Gales) - o mesmo da partida Brasil 1 x 0 Alemanha Oriental, da Copa de 1974 - apitou "final de jogo" ainda na trajetória da bola, para frustração do galinho que mais ficou no banco, durante a Copa vencida pelos argentinos. Na Copa de 1990 (Itália), mais uma vitória canarinho: Brasil 2 x 1 Suécia (gols de Careca e Brolin) ficando os suecos apenas em 21º lugar, com a mesma seleção que disputaria a Copa de 1994 e o Brasil, precocemente eliminado pela Argentina nas oitavas-de-final.

Entre as disputas, há ainda a cor da camisa: as duas seleções tem o amarelo no 1º uniforme. A Suécia usa camisa amarela, calção azul e meias amarelas; o Brasil usa camisa amarela, calção azul (ou branco) e meias brancas (ou azuis). E mais: o segundo uniforme de ambas é azul. A Suécia usou um terceiro uniforme branco, na semifinal da Copa de 1994 contra o Brasil, com a colorida camisa do goleiro Thomas Ravelli. A arte que ilustra este texto é baseada no uniforme home (amarelo com faixas azuis) fornecida pela Adidas para a "World Cup USA'94". O escudo da Suécia é o atual (com a inscrição - Svenska FotbollFörbundet) e a tipologia da numeração dos jogadores é a Old classic numbers. Em 1978, nas mágicas partidas de futebol de botão, sempre repetia o polêmico lance do escanteio validando o gol de Zico. As vezes, anulando porque o craque não "explodia" nas Copas, como fazia jogando pelo Flamengo. Na época, botões amarelos (plásticos opacos ou cristal) eram raros, mas ganhei um time do tipo "banca de jornal" decorados com escudos do Botafogo-PB (nada a ver). A marca Gulliver lançou um time amarelo do Brasil, na série "Futebol de botão oficial" (2010), assim como a coleção do Neymar (2012) também na versão verde para a seleção.      


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Bayern de Munique - o conquistador da Europa


O supertime a ser batido é mais uma vez o Bayern de Munique, campeão da Champions League -2013, depois da semifinal avassaladora diante do poderoso Barcelona com duas goleadas, por 4 a 0 no Allianz Arena e 3 a 0 no Camp Nou. Messi no banco estava desacreditado e o time catalão não tinha reação diante do futebol dos alemães combinados à Ribéry e Robben. O Bayern conquistou o torneio de clubes da UEFA, derrotando o também alemão Borussia Dortmund por 2 a 1. Vai para o Mundial de Clubes da FIFA como favorito ao título, provavelmente, enfrentando o Atlético Mineiro, o galo campeão da Libertadores. O Bayern foi tricampeão europeu nos anos 70, derrotando Atlético de Madrid (1974), Leeds United (1975) e Saint-Etienne (1976) e ainda campeão da Copa Intercontinental (1976) enfrentando os mineiros do Cruzeiro em dois jogos: 2 a 0 (Munique) e 0 a 0 (Mineirão). Maior vencedor da Bundesliga (campeonato alemão) com 23 títulos, o time de Munique atingiu o auge de sua história com a liderança do kaiser (imperador) Franz Beckenbauer, considerado melhor jogador alemão, camisa 5 da Alemanha Ocidental, seleção campeã da Eurocopa (1972) e da Copa do Mundo (1974). O líbero Franz chegou ao clube em 1963 e jogou três Copas: em 1966 foi vicecampeão, perdendo para Inglaterra com uma "ajuda" do juiz; em 1970 foi herói da semifinal contra a Itália, ao jogar com o braço enfaixado na derrota alemã por 4 a 3; em 1974 conquistou o bicampeonato para a Alemanha (depois de 20 anos) triunfando sobre a laranja enigmática seleção da Holanda, de futebol revolucionário, mas incapaz de superar o pragmatismo alemão. Seis jogadores do Bayern estavam na conquista alemã: Beckenbauer, o goleiro Sepp Maier, o meia Breitner, o atacante Müller, além de Schwarzenbeck e Hoeness. Em 1977, Beckenbauer foi jogar no milionário New York Cosmos, ao lado de Pelé, no soccer dos Estados Unidos.


Beckenbauer com a camisa do Cosmos ao lado
de Maradona (foto: El Gráfico/1980)

O Fußball-Club Bayern München venceu 16 Copas da Alemanha. Criado em 1900, o primeiro título nacional ocorreu após 32 anos, antes da ascenção do regime nazista pelo continente, fato que levou o torneio de futebol alemão ter um campeão austríaco. Depois dos "dourados anos 70", o clube bávaro voltou a ganhar a Liga dos Campeões da UEFA (5 títulos) em 2001 diante do Valência (ESP) e a Copa Intercontinental derrotando o Boca Juniors (ARG). Seu maior goleador é Gerd Müller (447 gols) que manteve a artilharia em Copas do Mundo (14 gols) pela Alemanha Ocidental por 32 anos, até ser superado pelo brasileiro Ronaldo (15 gols). O goleiro Oliver Kahn é o jogador que mais atuou com 557 jogos. Principal clube alemão, o Bayern foi a base da seleção da Alemanha nas últimas décadas, de craques como Rummenigge, Klinsmann, Ballack, Klose, Podolski, Schweinsteiger e Lahm. O meia Zé Roberto e o zagueiro Lúcio, ex-Seleção Brasileira, se destacaram no time recentemente. Seus rivais históricos nas conquistas européias são Ajax, Real Madrid, Barcelona, Milan, além dos compatriotas Schalke 04, Bayern Leverkusen e Borussia Dortmund. A ilustração dos escudos para o futebol de mesa é baseada no uniforme home do Bayern (vermelho com três listras douradas), fornecido pela Adidas para a temporada 2011-2012, com a escalação do atual campeão europeu. Ainda falta escolher um bom botão, para o Bayern de Munique conquistar muitas vitórias sobre o outro Bayer da minha coleção, o Leverkusen da marca Crakes.

Bayern de Munique campeão (1976): Müller (de barba) em pé, atrás do goleiro
Maier com a taça e Beckenbauer (o segundo em pé à dir.) 

domingo, 30 de junho de 2013

Brasil com "s" é muito melhor! (parte 1)

A Copa das Confederações da FIFA-2013 chega ao fim com dois confrontos entre europeus e sulamericanos. Na disputa do 3º lugar (Arena Fonte Nova - Salvador), a Itália derrrotou o Uruguai nos penaltis, com grande atuação do goleiro Buffon que pegou três cobranças uruguaias. Na grande final do Maracanã, o Brasil atropelou a Espanha, atual campeã mundial (estava invicta a 29 jogos) por 3 a 0, com gol relâmpago de Fred (1'32"), Neymar (44') e Fred (48'). Quando estava 1 a 0, a Espanha perdeu o empate com uma bola salvada pelo zagueiro David Luiz (como aconteceu na Copa de 1978) e Sérgio Ramos cobrou um penalti pra fora, já no segundo tempo. Enfim, no Maracanã não rolou o toque de bola da fúria - sentiram o templo do futebol, como se ainda ecoassem os gols de Pelé, Garrincha, Rivellino, Zico, Romário... Nesta nona edição, a média de público passou dos 40 mil expectadores, sendo os jogos disputados à tarde (menos a final) sob forte calor como aconteceu na semi-final entre Espanha e Itália jogada no Castelão (Fortaleza) com temperatura perto dos 30ºC. Na maioria das sedes da Copa das Confederações-13 fez calor, mesmo no inverno brasileiro, mas na Copa-14 com o total de 12 sedes a coisa vai ser um pouco diferente. Os estádios da Copa em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre podem reeditar partidas sob temperaturas entre 5ºC e 16ºC em jogos válidos por uma Copa do Mundo disputada no Hemisfério Sul, desde o Mundial da Argentina (1978). No mesmo dia, poderemos ter jogos no Nordeste com o termômetro superando os 30ºC e no Sul caindo pra gelados 10ºC, confirmando a continentalidade do território brasileiro.

Neymar ficou com a bola de ouro (melhor jogador) e a chuteira de bronze (4 gols). A maior goleada do torneio foi Espanha 10 x 0 Taiti. A seleção representante da Oceania formada por jogadores amadores, ganhou a simpatia do público mesmo levando 24 gols em apenas três jogos. O Taiti marcou 1 gol contra a Nigéria, mas não tem chances de se classificar para a Copa-2014 no Brasil, sendo a vaga do continente decidida numa repescagem com o 4º colocado das Eliminatórias da Concacaf. Pela Ásia, já estão classificados Japão, Coréia do Sul, Irã e Austrália (não disputa pela Oceania). A seleção da Jordânia ainda está na briga: vai jogar com o Uzbequistão, onde o vencedor disputará com o 5º lugar das Eliminatórias da América do Sul a última vaga da Copa-14, totalizando 32 seleções.

A FIFA organizadora dos torneios no Brasil, também é responsável nas transmissões de tv pela cerimônia do hino do país (50s de música), pelas edições de imagens (replay) de lances de impedimento, assim como os gráficos de tempo do jogo (no formato 90 minutos) e a grafia do nome de cada país. Sempre assisti os jogos da seleção, onde o time do Brasil era escrito com "z", oficialmente pela FIFA. Se os leitores estavam atentos às transmissões, perceberam que no placar dos jogos da Copa das Confederações-13, finalmente, o nome do Brasil estava grafado com "s". E o que vai pegar na Copa-14 não é o "invencionismo" da caxirola (este instrumento de percussão é um tipo de chocalho chamado caxixi, tocado com o berimbau nos toques da capoeira, por exemplo) e sim, o vibrante Hino Nacional cantado nos estádios mesmo após o corte do áudio da cerimônia. Há tempos não cantávamos o "Ouviram do Ipiranga" com tanto verde e amarelo nos olhos, dentro e fora dos estádios de futebol. Brasil campeão, só mesmo na bola.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Grêmio: especialista em jogos de 180 min.

O Grêmio Foot Ball Porto Alegrense foi bicampeão brasileiro em 1981 e 1996, mas sua maior conquista é a Copa Intercontinental (1983) quando venceu o Hamburgo (ALE) por 2 a 1, com gols do ponta-direita Renato Gaúcho, ídolo gremista. Em 1989 foi campeão da primeira edição da Copa do Brasil, título repetido em 1994/1997/2001, sendo maior vencedor deste torneio de sistema mata-mata. Após o título da Libertadores (1983) quando venceu o Peñarol (URU), voltou a ser campeão da América em 1995, derrotando o Atlético Nacional (COL) mas perdeu a decisão do mundial de clubes para o Ajax (HOL) nos penaltis por 4 a 3. No Grêmio treinado por Luis Felipe Scolari, destacavam-se a famosa garra gaúcha, forte marcação dos volantes e atacantes com fome de gol como Paulo Nunes e Jardel, além do goleiro Danrlei. O título do Campeonato Brasileiro de 1996 foi decidido no Olímpico contra a Portuguesa de Desportos, time revelação que "quase chegou lá". O Grêmio é um dos grandes times brasileiros, de torcida fanática e alucinada, caracterizada pela cantoria e "avalanche" na arquibancada atrás do gol do tradicional Estádio Olímpico. Foi heptacampeão gaúcho de 1962-1968 e, por ser o maior rival do Internacional-RS, seu famoso patrocinador de refrigerantes teria mudado a cor da logomarca de vermelho para preto no marketing do clube. Teve seu pior momento em 2004 quando foi rebaixado para a Série B do Brasileirão com apenas nove vitórias. No ano seguinte, sob comando de Mano Menezes, venceu o jogo conhecido como a batalha dos aflitos, quando venceu o Náutico fora de casa e conseguiu o acesso para a Série A do Brasileirão. Com 36 títulos estaduais, o Grêmio disputa com o Internacional a hegemonia gaúcha, no clássico conhecido como Gre-Nal. A primeira final do clássico foi em 1961, com destaque para 13 decisões consecutivas de 1966 a 1978. Pela Libertadores da América -2013, depois de passar pela pré-fase (LDU) e fase de grupos (Fluminense, Huachipato e Caracas) foi eliminado nas oitavas de final pelo Santa Fé (COL).


Botões do Grêmio, modelo disco de plástico (fundo não cavado):
 acionamento com pouca velocidade 

No tempo dos meus "campeonatos caseiros" de botão, o Grêmio era um dos preferidos pelo modelo Gulliver (disco de plástico não cavado) que ganhava as divididas na raça e só chutava de "folha seca" para encobrir o goleiro. De difícil acionamento, com toque mais duro, esses botões precisavam de cêra no fundo, para deslizar e ganhar maior velocidade. Mais simples que os times da coleção "Futebol de Botão Gulliver" (anos 70/80) de plástico transparente chamado "cristal", este botão azul-claro do Grêmio é remanescente da minha coleção. Único com escudos originais que permaneceu, pois tive outros times desse modelo (Corinthians, São Paulo, Vasco e Flamengo) que depois de "surrados" jogando no chão, foram redecorados como o Ceará, com botão preto e escudos retrô (com as letras C-S-C). Tenho um Atlético Paranaense (botão vermelho sem escudo) decorado apenas com faixas horizontais em vermelho e preto, nome do clube (dos cartões da Loteria Esportiva), numeração tipo folhinha de calendário e escalação de recorte de jornal, tipo de botão artesanal muito comum na época, porque era difícil encontrar escudos coloridos impressos (só mesmo quem colecionava a Revista Placar, da Editora Abril). Para o Mundial da África do Sul, a marca Gulliver lançou um modelo semelhante na coleção "Futebol de Botão Oficial", com as principais seleções apresentadas em caixa de plástico, com trave grande, goleiro de caixinha (8cm x 3,5cm), bolinha pastilha e dois tamanhos de botão (cinco jogadores de 6cm e cinco de 3,5cm de diâmetro).

Do título brasileiro de 1981, quando o Grêmio venceu o São Paulo por 1 a 0, me lembro do golaço do atacante gremista Baltazar, que de fora da grande área, matou a bola no peito e de sem-pulo chutou para o gol de Valdir Peres. Pra mim, esse gol secava de vez o então goleiro da Seleção Brasileira comandada pelo técnico Telê Santana que não convocaria para a Copa da Espanha o melhor da época - Emerson Leão, goleiro do Grêmio, ex-titular absoluto do Palmeiras e da amarelinha nas Copas do Mundo de 1974 e 1978. Meus amigos sãopaulinos, pai e sobrinhos, me desculpem pois acho que vem daí minha bronca com o "salve o tricolor paulista..."


Coleção da marca Gulliver incluia botão do Grêmio,
além dos grandes times paulistas e cariocas 

sábado, 11 de maio de 2013

Atlético-MG, o primeiro campeão



Em 1971, o Clube Atlético Mineiro foi o primeiro clube campeão brasileiro, quando  o campeonato passou a ser de fato nacional, com mais representantes fora do eixo Rio-São Paulo. Desde 1959 apenas os campeões estaduais brasileiros jogavam a Taça Brasil, disputada em jogos eliminatórios até chegar-se ao campeão. Os campeonatos estaduais já estavam consagrados, havia o Torneio Rio-São Paulo, mas não um campeonato com as dimensões do Brasil. Nessa busca, a partir de 1967, o Rio-São Paulo também incluiria dois times mineiros (Cruzeiro e Atlético), dois times gaúchos (Grêmio e Internacional) e o campeão paranaense. Depois surgiram as vagas para um time da Bahia, um de Pernambuco  e, finalmente em 1971, com a participação do Ceará Sporting Club foi formado o primeiro campeonato brasileiro, como relata o jornalista Celzo Unzelte (Ediouro, 2002). Por outro lado, a Copa do Brasil iniciada em 1989 é outro torneio nacional, de jogos mata-mata, atualmente disputada por 86 clubes de todos os Estados, onde o campeão é classificado diretamente para a Libertadores. Somente em 2003, o Brasileirão passou a ser disputado por pontos corridos, sendo o campeão aquele que somar mais pontos no turno e returno, classificando os quatro primeiros colocados para a Taça Libertadores (interclubes criado em 1960).

O “galo mineiro”, chegou a quatro finais de campeonatos brasileiros, no sistema em que os times eram distribuídos em grupos, até chegarem às finais. Em 1971 foi campeão vencendo o triangular final junto com São Paulo e Botafogo-RJ. No Brasileiro de 1977, ficou com o vice na decisão contra o São Paulo em pleno Mineirão; em 1980 foi derrotado pelo Flamengo (de Zico); em 1999 perdeu novamente, para o Corinthians. Fez incríveis 19 decisões consecutivas de campeonato mineiro (de 1974 a 1990) contra o Cruzeiro, seu maior rival em Minas, vencendo 11 campeonatos no período, dos quais um histórico hexacampeonato (1978-1983). Possui 42 títulos estaduais sendo o maior campeão mineiro, além de duas Copas Conmebol (1992/1997). No Brasileirão-2005 ficou em 20º lugar, rebaixado para a Série B, assim como aconteceu nos últimos anos com os campeões brasileiros Botafogo-RJ, Vasco da Gama, Grêmio, Palmeiras, Corinthians, Coritiba, Atlético-PR, Bahia e Sport. É o atual campeão da Libertadores-2013, título inédito conquistado nos penaltis contra o Olimpia (PAR), depois de perder o primeiro jogo por 2 a 0 em Assuncão.

 
Meu time de botão do Atlético-MG (Gulliver Cristal) é da fase gloriosa dos anos 1970, onde jogadores como Reinaldo, Luisinho, Toninho Cerezo, Paulo Isidoro, Éder, eram protagonistas das jogadas no futebol de mesa. “Rei, rei, rei, Reinaldo é nosso rei”, era o grito da torcida alvinegra para o maior ídolo e artilheiro do clube (255 gols). Sempre o botão do galo disputava partidas emocionantes no Xalingão (campo pequeno de mesa, de cor verde-escuro) com muitos dribles, chutes de folha-seca, e muita força nas divididas, por ser mais encorpado que os outros tipos de botão. Talvez isso acontecesse pela “mágica de jogar sozinho”, de decidir aleatoriamente os resultados, ou mesmo, pelo peso da camisa (no caso, do escudo!). Como disse no post do Corinthians, esses times da Gulliver Cristal eram bem lentos e pesados – mas o do Atlético não!

No Brasileirão-2012 foi segundo colocado (20 vitórias, 64 gols), excelente fase que se extende a classificação na Libertadores-2013 como melhor primeiro lugar da fase de grupos, eliminando o tricampeão São Paulo. Até o momento, o confronto do ano é mesmo Atlético-MG x São Paulo. Em quatro partidas os mineiros comandados por Ronaldinho Gaúcho venceram três vezes o tricolor de Rogério Ceni, maior goleiro da história do clube do Morumbi. Após o retorno ao Brasil pelo Flamengo, Ronaldinho jogando em grande fase, “arquitetou” a eliminação sãopaulina em lances que misturam a malícia “de beber água de Rogério Ceni na pequena área”, passes milimétricos, dribles desconcertantes de quem já foi o melhor do mundo (pelo Barcelona em 2004/2005), até fechar com um chocolate na vitória de 4 a 1 no Estádio Independência. Vale jogar uma partida de botão com direito à arte dos escudos desenhada com a foto de Ronaldinho, atual ídolo atleticano. E por que não, um bom goleiro (caixinha oficial) do Vitor, herói da conquista da Libertadores-2013, pegando penaltis contra o Tijuana, Newells e Olimpia. 

Futebol de botão Gulliver Cristal: destaque para o 9 do artilheiro Reinaldo