quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Portugal e a última partida para o Brasil-14


Os "navegadores" - assim é chamada a Seleção Portuguesa de Futebol -  mudaram a rota da viagem para o "Descobrimento do Brasil-2014". Depois de ficar em 2º lugar nas Eliminatórias Européias, no grupo que classificou a Rússia, para chegar à Copa precisa superar a Suécia na repescagem. Além do equilibrado confronto Portugal x Suécia, mais seis seleções européias estão nos play-offs: Ucrânia x França, Islândia x Croácia e Grécia x Romênia. Mas o "jogo da morte" é mesmo Portugal x Suécia, porque nos 180 minutos estarão dois craques entre os melhores jogadores europeus - somente um deles virá ao Brasil. Pela Suécia, Ibrahimovic (PSG) de gols arrebatadores; por Portugal, Cristiano Ronaldo (Real Madrid), melhor do mundo pela FIFA-2008, talento em dribles e golaços. Ronaldo poderá ser o maior artilheiro português, superando Pauleta (47 gols). Eusébio (41 gols) foi o goleador da Copa de 1966, marcando 9 vezes na edição inglesa. O atacante moçambicano jogou 64 partidas por Portugal (1961-1973) e 15 anos pelo Benfica, marcando 638 gols.
Eusébio e a camisa de Portugal
(foto: "El Gráfico"/1972)
Portugal tem apenas cinco participações em Copas, fazendo sua estréia em 1966, na Inglaterra, onde terminou em 3º lugar, em campanha avassaladora comandada pelo craque Eusébio, o "pantera negra". Na primeira fase, Portugal caiu no grupo do bicampeão Brasil, com Hungria e Bulgária, classificando-se para as quartas-de-final com três vitórias (Portugal 3 x 1 Hungria; Portugal 3 x 0 Bulgária; Portugal 3 x 1 Brasil). No último jogo do Brasil na Copa de 1966, a Seleção enfrentaria Portugal, precisando vencer por 3 gols de diferença. Não aconteceu. Nem mesmo Pelé, jogando machucado e caçado pelos portugueses pode evitar a derrota. Visivelmente eliminada, a Seleção Brasileira sentiu a força do novo futebol europeu, adiando para o México'70 a conquista definitiva da Taça Jules Rimet. Nas quartas, em jogo espetacular, Portugal perdia por 3 a 0, mas venceu de virada a Coréia do Norte por 5 a 3, com 4 gols de Eusébio. Na semi-final perdeu por 2 a 1 para a Inglaterra e, na disputa pelo 3º lugar, venceria pelo mesmo placar a União Soviética do lendário goleiro Yashin. Depois de 20 anos, voltou à Copa do Mundo no México'86, sendo eliminados na primeira fase, repetindo tal campanha na Copa de 2002 (Coréia do Sul/Japão). Com a equipe vice-campeã da Eurocopa-2004 (Grécia 1 x 0 Portugal) que tinha Figo (recordista com 127 jogos), o técnico pentacampeão Luiz Felipe Scolari e a geração de C. Ronaldo, Portugal ressurge para o futebol mundial na Copa de 2006 (Alemanha). Passados 40 anos da "gloriosa" conquista de 1966 (o técnico era o brasileiro Otto Glória), os lusitanos chegariam em 4º lugar, depois de passar por Irã, Angola, México (fase de grupos), Holanda (oitavas) e Inglaterra (quartas). Na semi, perdeu para a França, de Zidane, (1 a 0) e na disputa do 3º lugar, foi derrotada pela anfitriã Alemanha (3 a 1) que não conseguiria disputar o tetra. Na última Copa-2010 (África do Sul), Portugal estava novamente no grupo do Brasil, com Costa do Marfim e a mesma Coréia do Norte (goleada de 7 a 0). Nas oitavas, foi derrotada pelo toque de bola da Espanha. Cristiano Ronaldo, na seleção portuguesa desde 2003, pode encerrar um ciclo classificando-se para "descobrir o Brasil", ou naufragar nos mares do Norte, pois a Suécia (com 12 participações em mundiais) define a classificação em casa, no segundo jogo da repescagem.
A ilustração dos escudos de futebol de botão está baseada no uniforme número 2 de Portugal. Camisa branca, calção verde, com tipologia que a Nike usou na Copa de 2010. Na escalação, um selecionado da geração de Cristiano Ronaldo, incluindo Deco, meia brasileiro que encerrou sua carreira no Fluminense. A marca Gulliver lançou um time de Portugal, com botões cor de vinho, na série "FIFA World Cup Germany-2006", com adesivos do tipo "bandeira do país", que empobrecem qualquer coleção. Na época, paguei centavos pelo meu exemplar que ainda está lacrado. Agora, arte pronta que será adesivada no inédito botão vinho, só falta o seleccionado luso não se qualificar no agregado contra a Suécia. Ai Jesus!

Futebol de botão "Bolão" da marca Gulliver: adesivos com as bandeiras dos países

Portugal da coleção "FIFA World Cup Germany 2006": lacrado e na cor vinho


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Atlético-PR: o "furacão" ainda sopra


O Clube Atlético Paranaense tornou-se conhecido como "furacão", depois de uma sensacional sequência de 11 vitórias seguidas no Campeonato Paranaense de 1949. Goleadas por mais de 4 gols, sendo o Britânia o primeiro a ser "varrido", segundo a manchete do jornal "Desportos Ilustrados" (O Furacão levou o Tigre de Roldão). O apelido continuou durante décadas, em outros esquadrões do Atlético, sendo o primeiro clube paranaense a participar de um campeonato nacional - Taça de Prata de 1959. Nos anos 70 não conquistou títulos até o bicampeonato paranaense, em 1982/83. Voltou a elite do futebol brasileiro derrotando o Coritiba, seu maior rival no Paraná, no título da Série B de 1995. O furacão obteve sua melhor fase entre 2000 e 2005, quando conquistou um tricampeonato paranaense (2000/01/02) e o título de campeão brasileiro da Série A (2001), derrotando o emergente São Caetano. Em 2004, foi vice-campeão brasileiro sob o regulamento de pontos corridos, classificando-se para Libertadores de 2005, onde também foi vice-campeão, perdendo para o São Paulo - final brasileira que se repetiu pela última vez no ano seguinte, com Internacional x São Paulo. Seu maior artilheiro é Sicupira (154 gols) que defendeu o Atlético de 1968 a 1976. O atacante Washington é o maior goleador de uma edição de Campeonatos Brasileiros, marcando 34 gols em 2004. De 1924, o rubro-negro surgiu da união de dois clubes: Internacional e América. Seu estádio está no mesmo local desde a sua fundação. Conhecido como Arena da Baixada, o "caldeirão" do Atlético foi reinaugurado em 1999 e passa por reconstrução para a Copa do Mundo de 2014. O recorde do "furacão de 49" somente foi batido após 59 anos, em 2008, quando o Atlético conseguiu 12 vitórias consecutivas. Em 2011, continuando a saga do descenso dos campeões brasileiros, o Atlético Paranaense terminou o Campeonato Brasileiro em 17º lugar, caindo para Série B. De volta à Série A-2013, os ventos do furacão encostam no G-4, liderados pelo veterano meia Paulo Baier, em fase de gols decisivos.

Desenhei os escudinhos do furacão com base nos últimos uniformes home, fornecidos pela marca esportiva Umbro, com camisa listrada rubro-negra e calcão preto. Pra ilustrar a arte, coloquei a logomarca retrô do antigo patrocinador (Philco), em letras caixa-alta. Na minha coleção de botão, ainda tenho o time customizado do Atlético-PR. De conservadíssimo botão vermelho, disco não-cavado da Gulliver (não lembro se originalmente era um São Paulo ou Flamengo), com escalação de jornal, numeração de calendário e nome do clube (cartões da Loteria Esportiva) em cima das faixas horizontais em vermelho e preto. Relíquia dos anos 80, época que fazíamos a arte pintada à mão e, só o goleiro de caixinha tinha distintivos impressos da "Gazeta Esportiva" ou da "Revista Placar". Diversão pura, sem arquivos jpeg ou vetoriais impressos à laser em casa!

Botão da Gulliver (modelo disco não-cavado) com arte rudimentar feita à mão
para o Atlético Paranaense, no início dos anos 80

sábado, 28 de setembro de 2013

São Bento, o verdadeiro Azulão


Com um recorde de 29 anos de permanência na elite do futebol paulista (1963-1992), entre os clubes do interior, o ESPORTE CLUBE SÃO BENTO ganhou como mascote um pássaro chamado Tira-prosa e o apelido de "azulão". Talvez pela sua tradicional camisa azul marinho ou por revelar craques nacionais que endureciam nas partidas contra os grandes times da capital. Seu centenário comemorado no último dia 14 de setembro de 2013, marcou a reabertura do antigo Estádio Umberto Reali, localizado no conhecido "bairro dos espanhóis" em Sorocaba. Palco de muitas vitórias e batalhas pelo Paulistão, o velho estádio agora será o futuro CT do Bentão, gramado que traz lembranças de jogaços contra times rivais do interior (Ponte Preta, XV de Piracicaba, América, Noroeste, Ferroviária) assim como os "clássicos" contra São Paulo, Corinthians, Santos, Portuguesa e Palmeiras, alguns relatados na primeira postagem do São Bento. Assisti alguns jogos ainda no Umberto Reali, mas foi no CIC - Estádio Walter Ribeiro, que batizei minha torcida sãobentista. Em 1978, após a inauguração chuvosa na derrota contra o São Paulo (2 a 0), passei a frequentar os jogos do Campeonato Paulista realizados à tarde, pois ainda não havia iluminação no gramado. Sempre em companhia dos amigos do ginásio (que jogavam muita bola e futebol de botão) lembro de jogos contra Juventus, Taubaté, XV de Jaú, Marília e uma goleada de 3 a 0 no Velo Clube (Rio Claro). E os grandes da capital jogavam no domingo: estádio lotado (quase 20 mil pessoas) com direito a arquibancada de visitantes e gente até o "barranco" da geral atrás do gol. Um dos últimos jogos que assisti no CIC foi São Bento x Corinthians na arquibancada inferior atrás do gol, e vi a bola que furou a rede entrando "por fora", no gol do Timão. Antes só ia ao estádio com meu tio corinthiano e meu pai. Uma vez, numa partida São Bento x Ponte Preta, rodada do meio de semana no velho campo da av. Nogueira Padilha, chegamos com o jogo em andamento. Arquibancadas lotadas, só foi possível acompanhar o jogo pelo alambrado. Baixinho, sem ver nada, somente escutava o barulho da torcida. Leonidas (meu pai), na época não era muito fã de futebol, mas até hoje, conta uma história de um jogo do São Bento, onde estávamos na arquibancada coberta quando uma garrafa (sim, de vidro!) passou raspando na minha cabeça. Lenda ou não, depois disso ficou mais difícil convencer "seu Léo" pra ir ao futebol.

Nos cem anos de futebol em Sorocaba, o São Bento teve vários rivais históricos, como a Associação Atlética Scarpa (na fase amadora) e o Estrada de Ferro Sorocabana Futebol Clube (no profissional a partir de 1953), nos quais tive a oportunidade de jogar nas categorias de base (de 1978 a 1982) - futebol de salão no Scarpa, e campo (lateral direito) no Estrada. O São Bento sagrou-se campeão paulista da Primeira Divisão, em 1962 (atual Série A-2), numa disputa em três jogos contra o América de São José do Rio Preto, subindo para a Divisão Especial (atual Série A-1). O jogo final foi disputado no Estádio do Pacaembu, com gol de Picolé (prorrogação), na vitória do Bentão por 2 a 1. Em 1963, o São Bento foi 4º colocado no Campeonato Paulista, na melhor campanha de sua história superando Corinthians e Portuguesa. O ponta-esquerda Paraná, revelado no clube, transferiu-se para o São Paulo em 1965 e foi a Copa do Mundo de 1966, com a Seleção Brasileira. Desde 1993 faz o dérbi sorocabano contra o Atlético Sorocaba, com vantagem para o Galo com 17 vitórias.
A arte dos escudos do São Bento foi uma das primeiras que desenhei em 2009, com referência a famosa camisa azul, apenas com o distintivo sobre a cor e a escalação baseada no grande time dos anos 1970. A outra versão é da camisa azul celeste, 1º uniforme da campanha do último acesso a série A-1 (2005) com a logomarca do patrocinador "Colaso" (fábrica de laticínios). Torci pelo São Bento também pelas transmissões de rádio, como na derrota contra o Flamengo de Zico no Maracanã e na fase final do Paulistão A-2 (2008), quando São Bento e Atlético Sorocaba foram prejudicados pelo "jogo marmelada" protagonizado por Oeste e Mogi Mirim que subiram para Série A-1. Em tempo, acompanhei entusiasmado aos jogos do Bentão pela tv (coisa inimaginável na infância): na Série A-2 pela TV Cultura (2005); na A-1 pelo Canal Sportv/Globo (2006/2007) e Rede Vida na conquista do título paulista da Série A-3 (2013). Inclusive o empate em 1 a 1, na final contra o Batatais no CIC, diante da fanática torcida, resultado somado à vitória beneditina por 3 a 1 no primeiro jogo. Outros tempos, mas "promessa é dívida"- então, falta juntar os amigos e ver o Azulão sorocabano de novo no Estádio Municipal. O São Caetano que despontou no futebol brasileiro em 2000, me desculpe, mas azulão mesmo, sempre foi o São Bento!

sábado, 31 de agosto de 2013

Suécia - no caminho do tetra


A surpreendente seleção da Suécia da Copa do Mundo de 1994, marcou o tetracampeonato da Seleção Brasileira. Foram dois confrontos nos EUA: na fase de grupos, empate em 1 a 1 (Silverdome, gols de Kennet Andersson e Romário) e na semifinal (Rose Bowl), o Brasil venceu por 1 a 0, gol solitário de Romário. Em jogo duríssimo, o baixinho artilheiro subiu para escorar de cabeça aos 35' do segundo tempo, para decepção do goleiro Ravelli e alívio nacional. A Suécia ficou em 2º lugar do Grupo B, com Brasil, Rússia e Camarões. Nas oitavas, passou por Arábia Saudita (3 a 1); nas quartas derrotou a Romênia nos penaltis (empate em 2 a 2) até chegar na semifinal contra o Brasil. Venceu a Bulgária na disputa do terceiro lugar, numa goleada por 4 a 0. Melhor ataque do mundial (15 gols), conquistado pela geração que também foi terceiro lugar na Eurocopa de 1992, com Brolin, Dahlin, K. Andersson, o cabeludo Larsson e o irreverente Ravelli.

A Suécia segue na disputa das Eliminatórias européias para a Copa de 2014, no grupo C (Alemanha/Áustria/Irlanda/Cazaquistão/Ilhas Faroé) para se manter entre as 10 maiores seleções (número de participações em Mundiais), com Ibrahimovic, craque do PSG. Entre os títulos, foi medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres (1948), terceiro lugar na Copa de 1950 (Brasil) e vicecampeã na Copa de 1958, onde foi país sede, derrotada por 5 a 2 no primeiro título mundial do Brasil. Nos 24 anos que separavam o tricampeonato do "é tetra, é tetra" do Brasil, os suecos ainda cruzariam o caminho do tão sonhado título da Seleção Brasileira, como na primeira fase da Copa de 1978, na Argentina. Nesse episódio, (me lembro do jogo até hoje) o Brasil teve um gol anulado quando a partida estava empatada em 1 a 1 (gol de Reinaldo). Na etapa final , aos 45'03", após cobrança de escanteio Zico marcou de cabeça, só que o árbitro da partida Clive Thomas (País de Gales) - o mesmo da partida Brasil 1 x 0 Alemanha Oriental, da Copa de 1974 - apitou "final de jogo" ainda na trajetória da bola, para frustração do galinho que mais ficou no banco, durante a Copa vencida pelos argentinos. Na Copa de 1990 (Itália), mais uma vitória canarinho: Brasil 2 x 1 Suécia (gols de Careca e Brolin) ficando os suecos apenas em 21º lugar, com a mesma seleção que disputaria a Copa de 1994 e o Brasil, precocemente eliminado pela Argentina nas oitavas-de-final.

Entre as disputas, há ainda a cor da camisa: as duas seleções tem o amarelo no 1º uniforme. A Suécia usa camisa amarela, calção azul e meias amarelas; o Brasil usa camisa amarela, calção azul (ou branco) e meias brancas (ou azuis). E mais: o segundo uniforme de ambas é azul. A Suécia usou um terceiro uniforme branco, na semifinal da Copa de 1994 contra o Brasil, com a colorida camisa do goleiro Thomas Ravelli. A arte que ilustra este texto é baseada no uniforme home (amarelo com faixas azuis) fornecida pela Adidas para a "World Cup USA'94". O escudo da Suécia é o atual (com a inscrição - Svenska FotbollFörbundet) e a tipologia da numeração dos jogadores é a Old classic numbers. Em 1978, nas mágicas partidas de futebol de botão, sempre repetia o polêmico lance do escanteio validando o gol de Zico. As vezes, anulando porque o craque não "explodia" nas Copas, como fazia jogando pelo Flamengo. Na época, botões amarelos (plásticos opacos ou cristal) eram raros, mas ganhei um time do tipo "banca de jornal" decorados com escudos do Botafogo-PB (nada a ver). A marca Gulliver lançou um time amarelo do Brasil, na série "Futebol de botão oficial" (2010), assim como a coleção do Neymar (2012) também na versão verde para a seleção.      


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Bayern de Munique - o conquistador da Europa


O supertime a ser batido é mais uma vez o Bayern de Munique, campeão da Champions League -2013, depois da semifinal avassaladora diante do poderoso Barcelona com duas goleadas, por 4 a 0 no Allianz Arena e 3 a 0 no Camp Nou. Messi no banco estava desacreditado e o time catalão não tinha reação diante do futebol dos alemães combinados à Ribéry e Robben. O Bayern conquistou o torneio de clubes da UEFA, derrotando o também alemão Borussia Dortmund por 2 a 1. Vai para o Mundial de Clubes da FIFA como favorito ao título, provavelmente, enfrentando o Atlético Mineiro, o galo campeão da Libertadores. O Bayern foi tricampeão europeu nos anos 70, derrotando Atlético de Madrid (1974), Leeds United (1975) e Saint-Etienne (1976) e ainda campeão da Copa Intercontinental (1976) enfrentando os mineiros do Cruzeiro em dois jogos: 2 a 0 (Munique) e 0 a 0 (Mineirão). Maior vencedor da Bundesliga (campeonato alemão) com 23 títulos, o time de Munique atingiu o auge de sua história com a liderança do kaiser (imperador) Franz Beckenbauer, considerado melhor jogador alemão, camisa 5 da Alemanha Ocidental, seleção campeã da Eurocopa (1972) e da Copa do Mundo (1974). O líbero Franz chegou ao clube em 1963 e jogou três Copas: em 1966 foi vicecampeão, perdendo para Inglaterra com uma "ajuda" do juiz; em 1970 foi herói da semifinal contra a Itália, ao jogar com o braço enfaixado na derrota alemã por 4 a 3; em 1974 conquistou o bicampeonato para a Alemanha (depois de 20 anos) triunfando sobre a laranja enigmática seleção da Holanda, de futebol revolucionário, mas incapaz de superar o pragmatismo alemão. Seis jogadores do Bayern estavam na conquista alemã: Beckenbauer, o goleiro Sepp Maier, o meia Breitner, o atacante Müller, além de Schwarzenbeck e Hoeness. Em 1977, Beckenbauer foi jogar no milionário New York Cosmos, ao lado de Pelé, no soccer dos Estados Unidos.


Beckenbauer com a camisa do Cosmos ao lado
de Maradona (foto: El Gráfico/1980)

O Fußball-Club Bayern München venceu 16 Copas da Alemanha. Criado em 1900, o primeiro título nacional ocorreu após 32 anos, antes da ascenção do regime nazista pelo continente, fato que levou o torneio de futebol alemão ter um campeão austríaco. Depois dos "dourados anos 70", o clube bávaro voltou a ganhar a Liga dos Campeões da UEFA (5 títulos) em 2001 diante do Valência (ESP) e a Copa Intercontinental derrotando o Boca Juniors (ARG). Seu maior goleador é Gerd Müller (447 gols) que manteve a artilharia em Copas do Mundo (14 gols) pela Alemanha Ocidental por 32 anos, até ser superado pelo brasileiro Ronaldo (15 gols). O goleiro Oliver Kahn é o jogador que mais atuou com 557 jogos. Principal clube alemão, o Bayern foi a base da seleção da Alemanha nas últimas décadas, de craques como Rummenigge, Klinsmann, Ballack, Klose, Podolski, Schweinsteiger e Lahm. O meia Zé Roberto e o zagueiro Lúcio, ex-Seleção Brasileira, se destacaram no time recentemente. Seus rivais históricos nas conquistas européias são Ajax, Real Madrid, Barcelona, Milan, além dos compatriotas Schalke 04, Bayern Leverkusen e Borussia Dortmund. A ilustração dos escudos para o futebol de mesa é baseada no uniforme home do Bayern (vermelho com três listras douradas), fornecido pela Adidas para a temporada 2011-2012, com a escalação do atual campeão europeu. Ainda falta escolher um bom botão, para o Bayern de Munique conquistar muitas vitórias sobre o outro Bayer da minha coleção, o Leverkusen da marca Crakes.

Bayern de Munique campeão (1976): Müller (de barba) em pé, atrás do goleiro
Maier com a taça e Beckenbauer (o segundo em pé à dir.) 

domingo, 30 de junho de 2013

Brasil com "s" é muito melhor! (parte 1)

A Copa das Confederações da FIFA-2013 chega ao fim com dois confrontos entre europeus e sulamericanos. Na disputa do 3º lugar (Arena Fonte Nova - Salvador), a Itália derrrotou o Uruguai nos penaltis, com grande atuação do goleiro Buffon que pegou três cobranças uruguaias. Na grande final do Maracanã, o Brasil atropelou a Espanha, atual campeã mundial (estava invicta a 29 jogos) por 3 a 0, com gol relâmpago de Fred (1'32"), Neymar (44') e Fred (48'). Quando estava 1 a 0, a Espanha perdeu o empate com uma bola salvada pelo zagueiro David Luiz (como aconteceu na Copa de 1978) e Sérgio Ramos cobrou um penalti pra fora, já no segundo tempo. Enfim, no Maracanã não rolou o toque de bola da fúria - sentiram o templo do futebol, como se ainda ecoassem os gols de Pelé, Garrincha, Rivellino, Zico, Romário... Nesta nona edição, a média de público passou dos 40 mil expectadores, sendo os jogos disputados à tarde (menos a final) sob forte calor como aconteceu na semi-final entre Espanha e Itália jogada no Castelão (Fortaleza) com temperatura perto dos 30ºC. Na maioria das sedes da Copa das Confederações-13 fez calor, mesmo no inverno brasileiro, mas na Copa-14 com o total de 12 sedes a coisa vai ser um pouco diferente. Os estádios da Copa em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre podem reeditar partidas sob temperaturas entre 5ºC e 16ºC em jogos válidos por uma Copa do Mundo disputada no Hemisfério Sul, desde o Mundial da Argentina (1978). No mesmo dia, poderemos ter jogos no Nordeste com o termômetro superando os 30ºC e no Sul caindo pra gelados 10ºC, confirmando a continentalidade do território brasileiro.

Neymar ficou com a bola de ouro (melhor jogador) e a chuteira de bronze (4 gols). A maior goleada do torneio foi Espanha 10 x 0 Taiti. A seleção representante da Oceania formada por jogadores amadores, ganhou a simpatia do público mesmo levando 24 gols em apenas três jogos. O Taiti marcou 1 gol contra a Nigéria, mas não tem chances de se classificar para a Copa-2014 no Brasil, sendo a vaga do continente decidida numa repescagem com o 4º colocado das Eliminatórias da Concacaf. Pela Ásia, já estão classificados Japão, Coréia do Sul, Irã e Austrália (não disputa pela Oceania). A seleção da Jordânia ainda está na briga: vai jogar com o Uzbequistão, onde o vencedor disputará com o 5º lugar das Eliminatórias da América do Sul a última vaga da Copa-14, totalizando 32 seleções.

A FIFA organizadora dos torneios no Brasil, também é responsável nas transmissões de tv pela cerimônia do hino do país (50s de música), pelas edições de imagens (replay) de lances de impedimento, assim como os gráficos de tempo do jogo (no formato 90 minutos) e a grafia do nome de cada país. Sempre assisti os jogos da seleção, onde o time do Brasil era escrito com "z", oficialmente pela FIFA. Se os leitores estavam atentos às transmissões, perceberam que no placar dos jogos da Copa das Confederações-13, finalmente, o nome do Brasil estava grafado com "s". E o que vai pegar na Copa-14 não é o "invencionismo" da caxirola (este instrumento de percussão é um tipo de chocalho chamado caxixi, tocado com o berimbau nos toques da capoeira, por exemplo) e sim, o vibrante Hino Nacional cantado nos estádios mesmo após o corte do áudio da cerimônia. Há tempos não cantávamos o "Ouviram do Ipiranga" com tanto verde e amarelo nos olhos, dentro e fora dos estádios de futebol. Brasil campeão, só mesmo na bola.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Grêmio: especialista em jogos de 180 min.

O Grêmio Foot Ball Porto Alegrense foi bicampeão brasileiro em 1981 e 1996, mas sua maior conquista é a Copa Intercontinental (1983) quando venceu o Hamburgo (ALE) por 2 a 1, com gols do ponta-direita Renato Gaúcho, ídolo gremista. Em 1989 foi campeão da primeira edição da Copa do Brasil, título repetido em 1994/1997/2001, sendo maior vencedor deste torneio de sistema mata-mata. Após o título da Libertadores (1983) quando venceu o Peñarol (URU), voltou a ser campeão da América em 1995, derrotando o Atlético Nacional (COL) mas perdeu a decisão do mundial de clubes para o Ajax (HOL) nos penaltis por 4 a 3. No Grêmio treinado por Luis Felipe Scolari, destacavam-se a famosa garra gaúcha, forte marcação dos volantes e atacantes com fome de gol como Paulo Nunes e Jardel, além do goleiro Danrlei. O título do Campeonato Brasileiro de 1996 foi decidido no Olímpico contra a Portuguesa de Desportos, time revelação que "quase chegou lá". O Grêmio é um dos grandes times brasileiros, de torcida fanática e alucinada, caracterizada pela cantoria e "avalanche" na arquibancada atrás do gol do tradicional Estádio Olímpico. Foi heptacampeão gaúcho de 1962-1968 e, por ser o maior rival do Internacional-RS, seu famoso patrocinador de refrigerantes teria mudado a cor da logomarca de vermelho para preto no marketing do clube. Teve seu pior momento em 2004 quando foi rebaixado para a Série B do Brasileirão com apenas nove vitórias. No ano seguinte, sob comando de Mano Menezes, venceu o jogo conhecido como a batalha dos aflitos, quando venceu o Náutico fora de casa e conseguiu o acesso para a Série A do Brasileirão. Com 36 títulos estaduais, o Grêmio disputa com o Internacional a hegemonia gaúcha, no clássico conhecido como Gre-Nal. A primeira final do clássico foi em 1961, com destaque para 13 decisões consecutivas de 1966 a 1978. Pela Libertadores da América -2013, depois de passar pela pré-fase (LDU) e fase de grupos (Fluminense, Huachipato e Caracas) foi eliminado nas oitavas de final pelo Santa Fé (COL).


Botões do Grêmio, modelo disco de plástico (fundo não cavado):
 acionamento com pouca velocidade 

No tempo dos meus "campeonatos caseiros" de botão, o Grêmio era um dos preferidos pelo modelo Gulliver (disco de plástico não cavado) que ganhava as divididas na raça e só chutava de "folha seca" para encobrir o goleiro. De difícil acionamento, com toque mais duro, esses botões precisavam de cêra no fundo, para deslizar e ganhar maior velocidade. Mais simples que os times da coleção "Futebol de Botão Gulliver" (anos 70/80) de plástico transparente chamado "cristal", este botão azul-claro do Grêmio é remanescente da minha coleção. Único com escudos originais que permaneceu, pois tive outros times desse modelo (Corinthians, São Paulo, Vasco e Flamengo) que depois de "surrados" jogando no chão, foram redecorados como o Ceará, com botão preto e escudos retrô (com as letras C-S-C). Tenho um Atlético Paranaense (botão vermelho sem escudo) decorado apenas com faixas horizontais em vermelho e preto, nome do clube (dos cartões da Loteria Esportiva), numeração tipo folhinha de calendário e escalação de recorte de jornal, tipo de botão artesanal muito comum na época, porque era difícil encontrar escudos coloridos impressos (só mesmo quem colecionava a Revista Placar, da Editora Abril). Para o Mundial da África do Sul, a marca Gulliver lançou um modelo semelhante na coleção "Futebol de Botão Oficial", com as principais seleções apresentadas em caixa de plástico, com trave grande, goleiro de caixinha (8cm x 3,5cm), bolinha pastilha e dois tamanhos de botão (cinco jogadores de 6cm e cinco de 3,5cm de diâmetro).

Do título brasileiro de 1981, quando o Grêmio venceu o São Paulo por 1 a 0, me lembro do golaço do atacante gremista Baltazar, que de fora da grande área, matou a bola no peito e de sem-pulo chutou para o gol de Valdir Peres. Pra mim, esse gol secava de vez o então goleiro da Seleção Brasileira comandada pelo técnico Telê Santana que não convocaria para a Copa da Espanha o melhor da época - Emerson Leão, goleiro do Grêmio, ex-titular absoluto do Palmeiras e da amarelinha nas Copas do Mundo de 1974 e 1978. Meus amigos sãopaulinos, pai e sobrinhos, me desculpem pois acho que vem daí minha bronca com o "salve o tricolor paulista..."


Coleção da marca Gulliver incluia botão do Grêmio,
além dos grandes times paulistas e cariocas