segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O botão branco do Fluminense

 
Botões da Estrela: mais leves e rápidos
O Brasileirão de 2012 consagrou mais um time como tetracampeão, desta vez o tricolor das Laranjeiras, o Fluminense Footboll Club de torcedores ilustres como Chico Buarque, Jô Soares e o jornalista/dramaturgo Nelson Rodrigues. Título somente possível depois que a CBF em 2010 passou a reconhecer os campeonatos nacionais anteriores à 1971 (ano do primeiro Campeonato Brasileiro vencido pelo Atlético/MG), deste modo, o título de 1970 da Taça de Prata foi somado ao tricampeonato do Flu – 1984/2010/2012. Como havia comentado no post anterior (“O meu time do Corinthians era VERDE”) o Fluminense do meia Rivellino chamado de “máquina tricolor”, chegou perto da final do Brasileiro em 1976, eliminado na semifinal contra o Corinthians, na chamada “invasão do Maracanã”, com um público inimaginável nos dias atuais, cerca de 146 mil pessoas. Na outra semi o Internacional/RS venceria o Atlético/MG, numa disputa marcada pelo gol espetacular de Falcão, depois da tabelinha de cabeça e chute de bate-pronto na entrada da área. Naquele ano, o sensacional time do Internacional seria o segundo bicampeão nacional, vencendo o Corinthians que estava na fila de títulos. Assisti aos dois jogos na casa de meus primos mais velhos: o da semifinal no Maracanã e o segundo jogo da final no Beira-Rio, minha primeira lembrança dos grandes jogos que vi na tv colorida, com uma grande cobertura da mídia. A expectativa era enorme, pois as notícias vinham principalmente pelo jornal, rádio e tv. Jornais como A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde e a revista Placar eram verdadeiros arquivos de resultados, escalação, fotos de jogadores e escudinhos para os times de futebol de botão. Naquele tempo, esperava-se anciosamente o jornal sair na banca com notícias “quentes” do dia anterior (fato normal no jornalismo até o surgimento da internet na década de 90). As transmissões de futebol ao vivo na tv eram raras, muitas vezes, assistia somente o vt dos jogos na TV Cultura (canal 2) no domingo à noite, narrados por José Carlos Cicarelli e Luiz Noriega (morto em dez/2012). Ou então, acompanhava os resultados dos jogos com a “Loteria Esportiva” divulgada pela zebrinha do programa Fantástico. Enfim, os anos 1970 marcaram o fim da “época de ouro” do futebol brasileiro, sem internet, celular ou qualquer dispositivo do tipo personal computer para acompanhar as notícias do futebol e os jogos da rodada.

“Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos.” (Nelson Rodrigues)

E o Galvão gritou de novo: “olha o gol, olha o gol!”

O primeiro título brasileiro veio em 1984 contra o rival Vasco, com gol do paraguaio Romerito no primeiro jogo e empate em 0 a 0 no segundo. Em 2008 em grandes jogos, o tricolor das Laranjeiras venceu o Boca Juniors por 3 a 1 pela semifinal da Libertadores, no Maracanâ, que foi palco da final perdida para a LDU do Equador. Em 2010 sagrou-se campeão brasileiro vencendo o Guarani por 1 a 0, no Engenhão. Já em 2012, o Fluminense foi tetracampeão brasileiro com duas rodadas de antecedência, simplesmente em cima do Palmeiras, rebaixado para Série B. O principal narrador da Globo que ultimamente só fazia jogos da Seleção Brasileira, depois das Olimpíadas de Londres 2012, voltou a fazer jogos do Brasileirão, do Palmeiras ameaçado pelo rebaixamento e do Fluminense candidato ao título. E ele usou sua atual marca das narrações: “olho o gol, olho o gol”, justamente contra o Verdão (que sacanagem!), além de um discreto “é tetra” no final da partida. Nos últimos anos o Fluzão voltou a usar o uniforme home tricolor (listrado nas cores verde, grená e branco) com design muito semelhante ao da dédada de 70, e a camisa branca que seria o segundo uniforme, vem sendo pouco utilizada. Já foi usado o grená como 3º uniforme, mas o branco é mesmo um uniforme reserva. Os times de botão da marca Estrela, modelo “panelinha”, reinavam nos anos 1970, com as famosas “carinhas” dos jogadores (que pouco trocavam de clubes) e os escudos retrô, cujo botão branco do Flu eu tenho na minha coleção. Os botões para o Fluminense da marca Gulliver, em geral, são verdes, tanto os de plástico como os de acrílico. Os da marca Canindé, com o slogan “o único em acrílico” eram transparentes. Para o Vasco e o Botafogo, a Estrela e a Gulliver usavam o preto e para o Flamengo, o vermelho. Não lembro de ver outras marcas que usassem o branco como cor principal para o Fluminense e, sendo este um original, é uma raridade. Um verdadeiro “álbum branco dos Beatles”.


Botões do Fluminense da marca Estrela: brancos com escudo retrô (1979)
 

6 comentários:

  1. Grande Elson, obrigado pelas palavras no blog Escudetos. Sou colecionador e jogador apenas de botões da Gulliver, opção que fiz pelo preço e pra recordar meus botões de infância, que se perderam. Valeu por divulgar o blog aqui e coloquei seu link lá também. Continue seu trabalho, viu?

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    1. Obrigado pela força. Que pena ter perdido sua coleção de infância. A minha volta aos botões devo à minha mãe que guardou uma caixa com meus times. Aguarde novas fotos dos Gulliver.

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  2. Valeu Elson! legal o seu blog, vou adicionar no botão cards.
    abraços
    Roberto

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    1. Legal, minha coleção de originais é baseada nos Gulliver, Canindé e Estrela. Valeu Roberto, abs

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  3. Muito bacana o Blog, Elson!
    Quis comentar aqui, pois eu tinha vários botões também. Infelizmente deixei que 'escapassem' nas mudanças de casa e quando me casei...
    Tinham muitos da Estrela, inclusive este Fluminense, pois tinha nada mais do que QUATRO TIOS/TIAS que trabalhavam na Estrela!!! E um deles era o 'botonista' com quem eu, meu pai e outro tio varávamos madrugadas aos finais de semana em torneios inesquecíveis! Enfim... Mais um pouco de história do nosso esporte. :)
    Saudações.

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    1. Legal SandroCosta, estou organizando minhas memórias do futebol de botão e a coleção "salva" pela minha mãe! Os botões da Estrela são fantásticos, fiquei só com alguns times de escudo, os de "carinhas" se perderam...Puxa, tios na fábrica da Estrela, aí vc superou, hein! Valeu ;D

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