sábado, 15 de outubro de 2016

De volta ao país 'dos' 7 a 1

Brasil 2014 com botões do tipo "lente de relógio": reciclagem prevendo 
vários "7 a 1" no País, muito além do futebol
O Brasil é o líder das Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 2018, após a décima rodada, um ponto a frente do Uruguai. Agora, é possível pensar na classificação para o Mundial da Rússia, depois de uma fraca campanha da seleção de Dunga até a sexta rodada - 9 pontos, sexto lugar e fora até da repescagem da quinta vaga sulamericana, se terminasse assim. Ou melhor, se a CBF desgastada por escândalos pós-Copa 2014, não chamasse outro treinador. "E assim falou" Tite, vitorioso no Corinthians, respeitado pelo futebol e, acima de tudo, um talentoso treinador capaz de elevar a moral dos jogadores, chegando a quatro vitórias em quatro jogos. A seleção sentiu o golpe, desde o 7 a 1 da Copa, uma espécie de reedição do maracanaço de 1950. Eliminado na Copa América 2015, Copa América Centenário 2016 (fase de grupos) pelo Peru com gol de mão, o futebol brasileiro andava capengando, sem brilho, sem equipe, muito na Neymar-dependência.
Mas vieram a Rio-2016, com a tão sonhada medalha de ouro, conquistada diante da Alemanha (sub-23) e a sequência imponente das vitórias de Tite. Neymar marcando gols decisivos, incluindo a final das Olimpíadas, dessa vez, na companhia de Gabriel Jesus (Palmeiras), Renato Augusto, Philipe Coutinho, Wiliam, além da experiência dos zagueiros Miranda, Daniel Alves e dos bons goleiros Alisson e Weverton. Tite é unaminidade na seleção. Se Felipão foi o cara em 2002 no pentacampeonato, poderia destacar lá atrás, Telê Santana nas Copas de 82/86 como treinadores que tiveram grandes seleções "na mão". Tá, mas e o Parreira do tetra de 94? Tinha uma dependência dos gols de Romário, que só foi chamado no último jogo das eliminatórias contra o Uruguai  (marcou os dois golaços da classificação no velho Maracanã) pra depois ganhar a Copa dos EUA ao lado de Bebeto, Dunga e Tafarel.

Alemanha tetracampeã com uniforme rubro-negro

Para ilustrar essa postagem, escolhi exatamente os times de Brasil e Alemanha que fiz ainda em 2014, para uma encomenda. Os botões são do tipo "lente de relógio", pintados à mão, com escudos impressos à laser, porém customizados à moda retrô (papel, fita adesiva) como nos anos 1970. Na seleção brasileira optei por uma arte pronta do escudo, pintando de amarelo o fundo (lente). Para a Alemanha, fiz uma montagem (past-up) do escudo sobre a camisa rubro-negra do Flamengo, semelhante a camisa usada no mundial, também colorindo o fundo de vermelho. Os goleiros foram feitos com caixa de fósforos (6,2 x 4,0 x 1,7 cm) encapados com papel brilhante e distintivos. Com lentes de tamanhos entre 3,0 e 3,8 cm de diâmetro, o projeto ficou bem simpático e parece ter contagiado quem o recebeu, pois não conhecia o futebol de botão.

E agora, quem está na pior são os argentinos. Caíram pra quinto lugar na classificação, depois da derrota para o Paraguai (1 a 0, em Córdoba) e na próxima rodada encaram o Brasil, no Mineirão. Alguma chance de goleada a favor ou contra no mesmo estádio do 7 a 1? Não! Mesmo com a presença dos craques Neymar Jr. e Messi, fica difícil imaginar quando outra "tsunami" dessas vai acontecer entre grandes campeões. Whatever, na Copa América Centenário, rolou um Brasil 7 x 1 Haiti, ainda com Dunga no comando...
Rsrsrsrsrsrsrs,
"Vamos esperar a classificação pra Copa 2018...", disse o professor Tite!

Goleiro de caixinha: visual lembra uniforme do colossal 7 a 1
   

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Costa Rica "y la muerte"

Futebol de botão da Costa Rica: original sem referência do fabricante
A seleção da Costa Rica foi a grande surpresa da Copa do Mundo FIFA Brasil - 2014. Classificou-se em segundo lugar nas eliminatórias da Concacaf e caiu no chamado grupo da morte com três campeãs mundiais: Itália, Inglaterra e Uruguai. No seu quarto mundial, ficou em primeiro lugar no grupo D (2 vitórias; 1 empate) e, ainda mandou pra casa Itália e Inglaterra. Nas oitavas, depois de empatar em 1 a 1 venceu a Grécia, no penalti perdido por Gekas. Em jogo equilibradíssimo pelas quartas, resitiu a prorrogação diante da forte Holanda, em partida definida na substituição do goleiro -Krul, o 2º reserva especialista em penaltis, pegou 2 vezes. Foi a morte para a Costa Rica.  

A outra revelação que envolve essa postagem é o time de futebol de botão da seleção costarriquenha, original gentilmente cedido por meu sobrinho André Fonseca, de São Paulo. De fabricante "desconhecido", esse botão sempre me chamou a atenção, pois não é comum as marcas comercializarem tais seleções menos expressivas. São botões feitos de plástico, semelhantes aos da marca MiniPlay, que fabrica brindes para festas, encontrados em lojas do tipo Rua 25 de Março. Medem 40 mm de diâmetro por 4 mm de altura, sendo o fundo cavado com área de atrito variando entre 1 e 1,5 mm. O material plástico é mais leve e mole e ainda possui as rebarbas da fabricação. Os adesivos de impressão gráfica medem 23 mm de diâmetro (padrão para brinquedos), com o escudo da seleção e a inscrição Costa Rica em fonte comum (Arial). No escudo há uma figura estilizada de um jogador (em preto) semelhante ao usado na Copa de 2006. Segundo André, esse time de botão foi presente de algum aniversário, entre 2002 e 2006. Como retomei minha coleção de botão em 2005, acredito que essa Costa Rica é de um fabricante mais popular, pois na época da Copa de 2006, era possível encontrar seleções como Estados Unidos, Angola, Nigéria, Sérvia e Montenegro, por exemplo, com botões pretos e adesivos com escudos. A Gulliver lançou a série "FIFA World Cup Germany - 2006" com seleções tradicionais, como a Alemanha, do grupo A que tinha Costa Rica, Polônia e Equador. E ainda pode ser da Copa de 2002, onde a Costa Rica enfrentou Brasil, China e Turquia. O mais incrível (para colecionadores) é a cor dos botões da Costa Rica - azul turquesa - suficiente para ser uma simpática raridade. Caros leitores, quem tiver maiores informações sobre esse botão, fiquem à vontade pra comentar!
    

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Japão e as figurinhas de 2010

Customização dos botões Gulliver: adesivos do Japão
com as figurinhas da Copa de 2010
A seleção do JAPÃO foi a primeira classificada para a Copa do Mundo FIFA-2014, pelas eliminatórias asiáticas. É a quinta participação seguida em Copas, desde 1998 na França. Seu primeiro resultado expressivo no futebol foi em 1968, conquistando a medalha de bronze nas Olimpíadas da Cidade do México. Na década de 1990, iniciou a profissionalização do futebol com a criação da J-League. O Japão é tetracampeão da Copa da Ásia (1992/2000/2004/2011) tornando-se a maior força do futebol asiático, seguido pela Coréia do Sul. As duas seleções realizaram em conjunto a Copa de 2002, que se tornou o primeiro mundial da Ásia e a única competição da FIFA com duas sedes. O desempenho dos japoneses vem crescendo em mundiais, porém, ainda sem resultados expressivos. Em 1998 foi eliminado na fase de grupos, perdendo todos os jogos. Em 2002 como país-sede, empate em 2 a 2 com a Bélgica, 1 a 0 contra a Rússia, 2 a 0 na Tunísia e nas oitavas, foi eliminado pela Turquia por 0 a 1. Em 2006, sob o comando do técnico Zico, o Japão caiu no grupo do Brasil, com duas derrotas (Japão 1 x 3 Austrália; Japão 1 x 4 Brasil) e um empate sem gols com a Croácia na primeira fase. Na Copa de 2010, duas vitórias e uma derrota (Japão 1 x 0 Camarões; Japão 0 x 1 Holanda; Japão 5 x 1 Dinamarca) e nova eliminação nas oitavas, perdendo nos penaltis para o Paraguai. Na FIFA World Cup Brasil os japoneses estão no grupo C, estreando contra a Costa do Marfim (Arena Pernambuco-Recife), Grécia (Arena das Dunas-Natal) e Colômbia (Arena Pantanal-Cuiabá). Na fase de grupos, a seleção do Japão estará hospedada em Itú-SP, treinando em Sorocaba no estádio Walter Ribeiro (CIC), sob o comando do técnico italiano Alberto Zaccheroni. São destaques dos samurais azuis o meia Keisuke Honda (Milan-ITA) e o atacante Shinji Kagawa (Manchester United-ING). Até hoje, Zico é considerado ídolo no futebol japonês (Kashima Antlers, 1991/1994, com 54 gols). Responsável pela popularização da liga de futebol no país, o galinho treinou o Japão de 2002 a 2006.


Meu time de botão do Japão começou a ser elaborado ainda na Copa de 2010 (África do Sul), quando colecionei o álbum de figurinhas. Com um "olhar de desenhista", percebi que algumas seleções tinham cromos dos jogadores onde os escudos estavam destacados. Resolvi guardar dez figurinhas repetidas que poderia "enquadrar" as camisas para fazer os adesivos dos botões no tamanho básico (2,4 cm de diâmetro). Com design único, a cartela do Japão apresenta o uniforme home da Adidas (cor azul com 3 listras brancas na manga e detalhe em vermelho na gola) com o belo escudo da seleção japonesa. Para completar o projeto, escolhi um time da Gulliver (botão branco, de plástico) da série "Futebol Bolão" (veja passo-a-passo abaixo). Na atual edição da Panini para o álbum da Copa do Brasil-14, algumas figurinhas oferecem esse enquadramento, com os tradicionais uniformes do Brasil, Croácia e, os novos designs de Alemanha e Rússia, por exemplo. Pra quem não guardou as repetidas de 2010 (França, Camarões, Holanda, Japão) outra possibilidade é escanear o álbum da Copa da África do Sul, fazer a arte em programas de edição de fotos e imprimir as cartelas para adesivar os botões.

ARTE-FINAL DE ESCUDOS COM AS FIGURINHAS DA COPA

1- Selecione as figurinhas repetidas da sua coleção que tenham o escudo em destaque. Você vai precisar de régua, gabarito de círculos, tesoura e lapiseira; 2- Use o gabarito para enquadrar o escudo; faça um círculo de 2,4 cm de diâmetro com grafite azul sobre a foto. 3- Recorte com a tesoura a área marcada na figurinha. Por último, destaque a parte autocolante e escolha os botões para adesivar.      


domingo, 30 de março de 2014

Holanda - 1974: a Copa perdida no tempo e na bola

 
Botões na cor laranja: a Gulliver manteve o modelo dos anos 70,
substituindo os escudos por bandeiras
 
Faltavam 74 dias para a abertura da Copa do Mundo FIFA-2014, quando relatei aos leitores minha primeira lembrança dos mundiais. Foi a Copa de 1974. Na Alemanha dividida, em meio à Guerra Fria, ditadura militar no Brasil, Seleção sem Pelé e meu primeiro ano do colégio estadual. Não tenho maiores registros dos acontecimentos - uma ou outra revista da época - pois muita coisa se perdeu, como meu álbum de figurinhas da Copa e meus primeiros times de botão da Estrela, com as carinhas dos jogadores. Por muito tempo, ficaram na memória, as imagens em preto e branco da minha tv General Eletric, na qual, supostamente assisti os jogos da Seleção Brasileira. No Brasil, a TV Globo já exibia programas em cores, como o "Fantástico" e a novela "O Bem-Amado" e transmissões ao vivo. Na verdade, o que ficou lost foi a sensação de ter asssistido os jogos ao vivo e não no videotape (depois da Copa). O primeiro jogo do Brasil foi contra a Iugoslávia na abertura do torneio (seria imperdível), um zero à zero entediante jogando de camisas "escuras" (uniforme azul) com os tricampeões Rivellino, Jairzinho e Piazza. Depois, outro empate sem gols contra a Escócia (o time de Zagalo não embalava) e no terceiro jogo, teria que derrotar o Zaire por 3 gols pra se classificar. Torcida juvenil em frente a tv: o futebol brasileiro contra a ingenuidade dos africanos numa "goleada" que ficou no 3 a 0, graças à Jairzinho (12'), Rivellino (66') e Valdomiro (79'). O Brasil ficou em segundo lugar no grupo B, pelo saldo de gols (3 contra 2 dos escoceses) caindo na segunda fase com a Holanda.


Cruyiff troca flâmulas com Perfumo (Argentina):
supersticioso, ele usava uniforme com duas listras

É aí que minha história chega ao penúltimo capítulo: o duelo contra a Holanda, de Cruyiff e cia. Só lembro de ver os holandeses no mundial jogando contra o Brasil, mesmo assim, tenho dúvida se foi ao vivo, pois o fatídico jogo foi repassado algumas vezes pela TV Cultura. Sob o comando de Rinus Michels, a Holanda tinha jogadores habilidosos do Ajax, tricampeão europeu em 1971/72/73, que se movimentavam como um "carrossel". Apenas o goleiro Jongbloed, que usava o número 8, era fixo. Jogando sem luvas, quando atacado rebatia a bola com socos e cabeçadas. Na intermediária defendiam em bloco, literalmente com 4 ou mais jogadores abafando o adversário. Atacavam o tempo todo, mesmo contra Uruguai, Brasil e na final contra a Alemanha Ocidental. A Holanda que havia disputado as Copas de 1934 e 1938, teve uma campanha alucinante em 1974, com 5 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Na fase de grupos, the oranges derrotaram o Uruguai por 2 a 0; empate sem gols contra a Suécia; goleada de 4 a 1 na Bulgária; na segunda fase, mais uma goleada de 4 a 0 sobre a Argentina; 2 a 0 na Alemanha Oriental e 2 a 0 no Brasil. Na final, logo no primeiro ataque, um penalti a favor da Holanda convertido por Neeskens (2'), confirmaria o favoritismo diante da Alemanha Ocidental, que empatou com a mesma moeda, outro penalti convertido por Breitner (25'), para virar o placar em 2 a 1, ainda no 1º tempo com Mueller (43'), que se tornaria o maior artilheiro das Copas (14 gols) até Ronaldo (15 gols) em 2006.

Holanda da Gulliver para a Copa de 2006 (Alemanha) com adesivos modificados 
Meu time da Holanda é um botão laranja da Gulliver "World Cup Germany 2006", customizado com adesivos da marca Miniplay (distintivo) comprados na rua 25 de março, por cerca de R$0,90! Na época do Mundial da Argentina (1978), jogava muito com outro botão da Holanda, um Gulliver do inseparável amigo Zé Augusto (sim, ele tinha as seleções com distintivos!) com os craques Neeskens, Resenbrink, Han, Repp e Cruyiff, que não foi a Copa de 1978 por temer a situação política na Argentina. No meu segundo mundial assistido (quase) na íntegra, vi a tal laranja mecânica ser desmontada pelos hermanos. Voltando ao penúltimo capítulo dessa história - Brasil 0 x 2 Holanda - lembro das partidas anteriores da segunda fase, onde os canarinhos derrotaram a Alemanha Oriental por 1 a 0 (gol de Rivellino) e a Argentina por 2 a 1, no clássico mais esperado das Copas, partida que assisti em Águas de Santa Bárbara-SP, na casa de meus primos. O filme oficial da FIFA - Copa de 1974, mostra a trajetória da Alemanha Ocidental, país sede, com sua estratégia para chegar a grande final e a Holanda goleando os adversários. Pouco mostra o Brasil tricampeão, dono da Taça Jules Rimet, que foi substituída pela FIFA World Cup, pela primeira vez em 1974. No filme, os craques brasileiros pareciam não acreditar no que já havia acontecido com Uruguai, Bulgária e Argentina: só a Holanda jogava, envolvendo a seleção com posse de bola, forte marcação e o "carrossel", tática onde nenhum jogador de linha guardava posição fixa. O primeiro sonho do tetra, terminava com Rivellino irritadíssimo com a marcação, Leão defendendo (quase) tudo e Luis Pereira expulso mostrando o escudo da seleção e o número 3 (tri) para torcida holandesa.

No último capítulo, a trilha sonora da final ganha uma orquestração "dramática", com sons percussivos (batalha do jogo) e canto melancólico (dos holandeses derrotados). E a geração fabulosa da Holanda voltaria ser vicecampeã contra a Argentina (1978). Michels voltou a treinar a seleção em 1988, tornando-se campeã da Eurocopa com Gullit e Van Basten. Foi derrotada na África do Sul (2010) pela Espanha, confirmando sua marca de vicecampeã pela 3ª vez!


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Botafogo-SP, do doutor Sócrates

Futebol de botão da Canindé comercializava times paulistas tradicionais

Caros leitores, aproveito a boa fase dos times do Interior paulista pra postar meu botão do Botafogo Futebol Clube. Tradicional clube de Ribeirão Preto, foi campeão do Primeiro Turno do Campeonato Paulista de 1977, diante do São Paulo, revelando o meia Sócrates para o futebol brasileiro, mais tarde, ídolo do Corinthians e da Seleção Brasileira. Original da marca Canindé, como não poderia faltar, o Botafogo-SP fez história nas partidas de botão do meu Estrelão. Uma das poucas fábricas que comercializavam times como, XV de Piracicaba, Ponte Preta, Portuguesa de Desportos, Londrina, Náutico e Sport Recife, por exemplo, usava o slogan "Único em acrílico" em destaque nas caixas amarelas. O botão era transparente, sem a cor predominante dos clubes e mais robusto do que os Gulliver da série Cristal. (encontrei na internet fotos do Santos da Canindé com botões vermelhos, bem estranhos...). Na série "Campeões do Brasil", os adesivos dos escudos eram simples, sem decoração ou numeração dos jogadores. Em Sorocaba, comprava esses botões num bazar de utilidades domésticas, ainda situado na Rua Sete de Setembro, porém, hoje em dia não vende mais jogo de botão. Sempre mais lentos, os botões da Canindé eram um pouco maiores e ganhavam o jogo nas divididas. Como era costume jogar sozinho, "fazia acontecer" os resultados, muitas vezes reeditando jogadas clássicas, ou seja, time pequeno poderia surpreender os grandes. Essa era a magia do futebol de botão, incluindo narração, reportagem e barulho da torcida!

Botafogo-SP original da Canindé: numeração artesanal
O Botafogo de Ribeirão Preto foi campeão do Torneio Internacional da Argentina nas edições de 1962, 1969, 1971 (vencendo o Boca Juniors por 5 a 3 em LaBombonera) e 1972. É um dos clubes do Interior que mais revelaram jogadores convocados para Seleção Brasileira, entre eles, Baldochi, Sócrates, Zé Mario, Raí, Cicinho e Doni. O doutor Sócrates treinava pouco no Botafogo (em parte, por cursar Medicina) e pensava suas jogadas sem rifar a bola nos 269 jogos pelo clube. Seu toque de calcanhar foi imortalizado: passes, dribles e gols. Jogou o chamado "futebol-arte" da Seleção Brasileira nas Copas de 1982 (Espanha) e 1986 (México) marcando 4 gols. O Botafogo foi vice-campeão Paulista em 2001, derrotado pelo Corinthians. No ano seguinte, foi rebaixado para Série A-2, voltando à elite paulista em 2009. Seu campo é o Santa Cruz, terceiro maior estádio particular do País, com capacidade para 50 mil torcedores, sendo palco do jogo Brasil 2 x 2 Polônia (1993). Faz o dérbi local contra o alvinegro Comercial, com vantagem de 21 vitórias, 17 empates e 9 derrotas, pelo Campeonato Paulista no período de 1959 a 2012. Tem a maior invencibilidade do confronto com 11 vitórias (1966-1977). Seu uniforme tricolor foi muito semelhante ao do São Paulo, nas duas versões: home (branco com listras horizontais em vermelho e preto com escudo no centro) e visitante (listrado em vermelho, preto e branco). Era confuso ver os uniformes de Botafogo-SP x São Paulo na tv, mas no futebol de botão, sobrava originalidade nesse time do Botafogo da marca Canindé.

Botões do Botafogo-SP da marca Canindé, da série Campeões do Brasil

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Cruzeiro (1966-1976): dez anos de ouro


O Cruzeiro Esporte Clube também surgiu como Palestra Itália, na cidade de Belo Horizonte (1921), seguindo a tradição de clubes fundados pela colônia italiana, assim como o Palmeiras. Em 1942, sob pressões políticas impostas pelo governo federal, todos os times que faziam referência à Itália foram "convidados" a trocar de nome. Dessa forma, o palestra mineiro adotou como símbolo a constelação do Cruzeiro do Sul e o uniforme azul e branco. O campeão brasileiro de 2013 teve grandes equipes, como a campeã de 2003 que marcou 100 pontos no primeiro Brasileirão disputado no sistema de pontos corridos, consagrando o meia Alex e o técnico Luxemburgo. Em 1976, o talentoso time campeão da Libertadores, derrotou o River Plate (ARG) na melhor de 3 partidas: no Mineirão, vitória por 4 a 1; no Monumental de Nuñez, derrota por 2 a 1; no Estádio Nacional de Santiago, vitória por 3 a 2. No mesmo ano, foi vicecampeão da Copa Intercontinental contra o Bayern de Munique, que tinha a base da Alemanha campeã mundial de 1974, com Beckenbauer, Müller e o lendário goleiro Maier. O Cruzeiro foi pentacampeão mineiro (de 1965 a 1969) se destacando no futebol brasileiro em 1966, quando a jovem equipe mineira derrotou o incrível Santos de Pelé (bicampeão mundial), na final da Taça Brasil. Reconhecido pela CBF como campeão nacional, as imagens em P&B desse jogo, mostram que o Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza e Raul Plasmann, não tomou conhecimento do Santos, quase imbatível nos anos 60. Na partida do Mineirão, o Cuzeiro bateu o Santos por inimagináveis 6 a 2; em São Paulo, outra vitória (de virada) por 3 a 2. Tostão foi o primeiro jogador mineiro a disputar uma Copa (1966), na qual o Brasil bicampeão, foi eliminado na fase de grupos do Mundial da Inglaterra. Quatro anos depois, no México, conquistou o tricampeonato com a Seleção Brasileira que jogava com "meias atacantes" (ou a melhor seleção de todos os tempos), ao lado de Gérson, Pelé, Rivellino e Jairzinho.

Futebol de Botão Cristal (Gulliver, 2012): caixa de plástico para botões mais leves
O Cruzeiro foi duas vezes vice-campeão brasileiro nos anos 70: em 1974 contra o Vasco; em 1975 contra o Internacional. Na sequencia, foi o rival Atlético que chegou às finais do Brasileirão: em 1976 perdeu a semi-final para o Internacional; em 1977, perdeu a final para o São Paulo. Na época, jogava minhas primeiras partidas de futebol de botão, mas não tinha o time do Cruzeiro. Na verdade, lembro de jogar com um botão azul da Gulliver Cristal - emprestado pelo amigo inseparável Zé Augusto - que tinha mais ou menos o dobro da minha coleção. Como já postei o Atlético-MG dessa época (também da Gulliver), é provável que eu tenha gostado mais do galo, de Cerezo e Reinaldo, ao invés da raposa de Nelinho e Palhinha, que era o time de botão do Zé. Até o que sei, joguei e colecionei futebol de botão até 1983, mas só recentemente, comprei o Cruzeiro da mesma série Gulliver Cristal. Comparados com o modelo anos '70, os botões azuis são menos robustos, embalados em caixa transparente, com adesivos de escudos e trave grande (13,2cm x 5,3cm). O jogo atual vem com goleiro "de brinquedo", mas fica a dica: dá pra fazer um bom goleiro nas medidas 8,0cm x 3,6cm a partir de uma caixa de caldo de legumes, recortando-a neste tamanho. Logo mais, vou postar o passo a passo desse goleiro de caixinha. A marca de brinquedos Gulliver manteve o futebol de botão dos clubes brasileiros com distintivos, mas deixou as seleções da Copa com aquelas bandeirinhas de países...que chato! 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Botão enigmático da Estrela: Palmeiras ou Palestra?

PALMEIRAS é o atual bicampeão brasileiro da Série B, título pouco lembrado pela fatalidade do rebaixamento (2002/2012), que supera qualquer campanha vencedora fora da elite do futebol brasileiro. Com 8 títulos nacionais - somados as duas conquistas da Taça Brasil (1960/1967), duas do "Robertão" (1967/1969) e o tetracampeonato do Brasileirão (pós-1971) em 1972/1973/1993/1994 - o Palmeiras é o maior campeão brasileiro, ao lado do Santos FC. O segundo retorno à Série A se fez mais do que necessário, pois em 2014 o Palmeiras completará o seu centenário. De 1914, o clube fundado por imigrantes italianos era chamado de "Palestra Itália" (assim como o Cruzeiro-MG) até 1942, época da Segunda Guerra Mundial, onde o governo de Getúlio Vargas proibiu qualquer legenda em referência aos países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão). O vermelho que remetia à bandeira da Itália foi excluído do escudo institucional, substituído pelo verde e amarelo e a inscrição "Palestra de São Paulo". No mesmo ano, após muitas pressões políticas, o clube ganhou o nome de Sociedade Esportiva Palmeiras. Ao longo da história, o Palmeiras teve nove mudanças no desenho de seu escudo de camisa, sempre destacando a letra P. A Cruz de Savóia, símbolo da família real italiana (no século 19) foi adotada em 1915; as iniciais P e I entrelaçadas predominaram a partir de 1917, primeiro sendo inseridas em triangulo verde; depois sobre círculo branco (1919); até 1941 com o círculo verde alternando as cores das letras em branco e vermelho. Em 1942, com a mudança do nome para Palmeiras, optou-se apenas pela letra P inscrita em circulo verde, escudo que marcou o uniforme campeão da Taça Rio - 1951 (torneio interclubes não reconhecido pela FIFA). Em 1959 o alviverde fez a última alteração unificando os escudos: a palavra Palmeiras ladeada por 8 estrelas inscritas em círculo verde, contendo um círculo menor com o brasão da letra P. Este escudo foi reestilizado em 1977, permanecendo nas diversas versões do uniforme ocorridas nas últimas décadas.

Na minha coleção de futebol de botão, tenho um time do Palmeiras, da marca Estrela, botão verde escuro, modelo panelinha, um verdadeiro clássico do botonismo dos anos 1970. A questão (pauta desta postagem) é que o escudo impresso nos adesivos não faz referência direta a nenhum distintivo do Palmeiras, historicamente acima relatados. Os botões da Estrela produzidos até 1979, ficaram conhecidos por estampar fotos dos jogadores de cada time (adesivos das "carinhas") e, na última fase, manteve apenas os escudos dos grandes times. Neste botão, o desenho do distintivo é uma redução gráfica do escudo, com a tradicional letra P (em branco) sobre brasão de fundo verde claro e contorno preto. No atual escudo do verdão, o tal brasão com a letra P aparece em fundo de listras horizontais verdes. Portanto, não fica claro se a intenção da Estrela era estilizar o símbolo palmeirense ou se fazia referência a um possível "escudo perdido" da era Palestra. Não faz sentido a marca de brinquedos ter alterado o símbolo apenas no caso do Palmeiras, pois os outros botões da série "Times da Pesada", vinham com os distintivos oficiais, por exemplo, São Paulo, Fluminense, Flamengo e o Botafogo-RJ. Na época, o Palmeiras estava em grande fase e havia a concorrência de outra marcas, como a Gulliver (que usava o escudo alviverde atual) e a Canindé. Pode ter ocorrido "uma estratégia de marketing", para driblar uma disputa sobre o produto licenciado, ou ainda menos provável, uma troca grotesca do escudo, que "deu certo". Fiz uma rápida pesquisa de imagens na internet com as palavras-chave Palmeiras escudo, de resultados próximos ao campo da busca (escudos históricos do Palmeiras, Palestra Itália, etc), até chegar num escudo similar ao usado pela fabricante Estrela. O curioso é que tal escudo pertenceu à um time catarinense, o Palmeiras Esporte Clube (1944-1980), atualmente denominado Blumenau Esporte Clube, com vários títulos estaduais incluindo um vice da primeira divisão (1988)."...é estranho", diria o velho Lobo.


Time de botão da Estrela: Palmeiras na minha coleção há mais de 30 anos

Palmeirense desde a infância, tive outros botões do verdão que mais tarde foram customizados em outros times, como Coritiba e Goiás, dificeis de encontrar nas coleções originais. Ficaram perdidos no espaço da minha coleção, os saudosos botões da Estrela (do início dos anos 70) com as "carinhas" dos jogadores. Tinha jogo de botão dos quatro grandes paulistas: Santos, São Paulo, Corinthians e o Palmeiras bicampeão brasileiro (1972/73) de Leão, Eurico, Luis Pereira, Alfredo, Zeca e Dudu; Ademir da Guia, Leivinha, Edú, Cézar e Nei. Caros leitores, ficamos com o enigma do distintivo lançado pela marca Estrela nos anos 1970, de uma sutil mensagem subliminar do Palestra Itália (oito vezes campeão paulista) ao possível "erro da gráfica", no antigo (e irônico) jargão do jornalismo. #soquenaum.
Leia mais sobre a restauração dos adesivos do Palmeiras na "série vintage"

Campanha publicitária para o futebol de botão
da marca Estrela: Palmeiras com distintivo alterado